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Xia prolonga tabu

Paulo Rego*

Há cinco anos, o Colégio Eleitoral estava selecionado a 16 de junho; e a eleição do Chefe do Executivo consumada a 25 de agosto. Mas, em bom rigor, em finais de maio já as fontes melhor informadas davam como incontornável a candidatura única de Ho Iat Seng – como se verificou. Este ano, perante a hipótese de reeleição – desde a transição de poderes, seria a primeira vez que alguém falhava o segundo mandato – só a 11 agosto se conhecerá o Colégio Eleitoral; e nunca antes de outubro se conhecerá o inquilino do Palácio. Pequim deu neste processo vários sinais de indecisão, sendo este o mais claro e formal. Entretanto, o chefe do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau, Xia Baolong, veio a Macau e nada fez para desfazer o tabu. Ou seja, prolonga-o.

Houve elogios ao Governo de Macau, a quem Xia reconheceu sobretudo “pragmatismo”. Mas a pedra de toque foi outra: o alto representante chinês frisou o longo caminho que ainda falta para a afirmação internacional de Macau e a sua missão de ponte para ocidente: Narrativa, essa, há muito central em Pequim; e que é um dos pontos mais fracos de Ho Iat Seng. Quanto ao elefante na sala: a eventual renomeação do Chefe do Executivo… nem um único sinal. Aliás; o Ho Iat Seng veio dizer que nem sequer falaram sobre isso; e que ele próprio nada tem a dizer sobre a hipótese de se recandidatar.

É cada vez mais forte a sensação de que este processo é bem mais complexo do que esperariam os apoiantes mais próximos de Ho Iat Seng, que tem méritos como o do combate ao Covid, a recuperação económica dos casinos, ou o patriotismo sem limites. Mas também se sabe que Pequim foi ouvindo relatos sobre o divórcio entre Palácio e sociedade civil; descrédito na diversificação económica; e grande fragilidade na plataforma lusófona e internacionalização de Macau.

Quanto mais tarde se desfizer o tabu, mais forte é a esperança de todos aqueles que se acham capazes de fazer melhor. Esse burburinho nos bastidores, claramente, não parou. Porque Pequim ainda não quis pôr-lhe fim.

*Diretor-Geral do PLATAFORMA

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