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O futuro já está atrasado

Um dos slogans mais citados nas escolas de gestão é do perigo de se ter razão antes do tempo; antes que o mercado, os stakeholders económicos, sociais e políticos, acompanhem a sustentabilidade e crescimento do projeto. O PLATAFORMA nasceu há uma década; bem antes da perceção coletiva da missão – e oportunidade – de ser ponte entre a China e a Lusofonia. Após várias crises e tempestades; arranca mais um ciclo de crescimento, com mais parceiros, foco renovado no online, e novos projetos como o “Plataforma Talks” – ciclo de debate sobre as redes em que Macau tem de investir. Não é ainda esse o espírito do tempo, mas conhecemos o caminho e temos plena consciência de que já não estamos adiantados. Há é ainda muito atraso na perceção política e coletiva desse horizonte.

Entretanto, muita coisa mudou em Macau. A começar pelo perfil dos dirigentes políticos, passando pela visão – ou falta dela – do serviço que Macau pode e deve prestar à China na relação com o resto do mundo. Mas nada de essencial mudou na consciência que as elites políticas e económicas têm cada vez mais de promover. As más práticas permanecem, quando se afastam quadros estrangeiros – em vez de os atrair – quando se descora o bilinguismo e o multiculturalismo, ou quando os excessos nacionalistas esquecem que o melhor serviço que se pode prestar à Mãe Pátria é o de uma autonomia inteligente e ambiciosa.

Continuamos nesse caminho; cada vez mais entendido pelas pessoas. Mas Macau continua muito longe de uma prática consistente, e consequente, que faça desse desígnio um dos eixos centrais da diversificação económica e da sua relevância geopolítica. Quando esse bloqueio nos assalta, lembramo-nos de outro ditado nas escolas de gestão: o futuro não se adivinha – vê-se. Porque ele já cá está… ainda que visto por pouca gente, e sem a dimensão que merece e terá. Vivemos há muito esse presente, e sabemos que o futuro vai chegar – porque o futuro chega sempre.

*Diretor-Geral do PLATAFORMA

Tags: Paulo Rego

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