
À noite, as frentes ribeirinhas e os passeios marítimos são movimentados. Pequenos restaurantes oferecem refeições ao ar livre, incluindo souvenirs de artesanato local. Bancas de ‘pop-up’ pintam a paisagem, juntamente com músicos e outros artistas que atuam em vários pontos do caminho. Este é o cenário de uma cidade internacional vibrante. As luzes e as imagens nas fachadas dos edifícios podem formar um cenário memorável.
A economia noturna faz parte do desenvolvimento e da diversificação dos produtos turísticos e, como tal, o nível de desenvolvimento terá impacto nos objetivos de Macau. A cidade definiu vários produtos turísticos específicos para serem desenvolvidos nas novas concessões – alguns deles ocorrerão automaticamente à noite, como os concertos e espetáculos.
Mas o desenvolvimento da vida noturna pode não se materializar em todo o seu potencial a partir dos produtos turísticos, exigindo uma estratégia mais aprofundada e esforços específicos de colaboração entre os setores público e privado. A vida noturna pode ser incrivelmente atrativa para os visitantes internacionais, além de aumentar a sua permanência. De igual modo, Macau tem sido desafiada a alargar o número de visitantes e a converter mais visitas de um dia para viagens em que os turistas pernoitam.
Este formato não atrai apenas visitas por lazer, mas também outros segmentos. Na indústria de convenções e exposições, o programa social noturno faz parte da atração para o sucesso de uma candidatura ou para encorajar uma maior participação dos delegados. A vida noturna faz parte do imaginário e das mensagens utilizadas nos programas de marketing e promoção das cidades internacionais. Muitas vezes, há imagens promocionais da linha do horizonte da cidade durante o dia e a noite.
Uma vida noturna vibrante traz benefícios diretos e indiretos à comunidade e à economia, proporcionando receitas adicionais, oportunidades de emprego e iniciativas de pequenas empresas, promovendo e sustentando os esforços culturais e musicais locais. As empresas que operam durante o dia na economia do turismo, como restaurantes, estabelecimentos comerciais, táxis e empresas de autocarros, podem gerar receitas adicionais durante a noite. Proporciona também oportunidades de eventos desportivos, musicais, culturais e festivais autónomos. A corrida à economia noturna necessita de inovar, para incluir iluminação artificial – mas essas inovações contribuem para a atmosfera e a paisagem dos serviços. Pode levar à inovação em pequenos espaços físicos já vi alguns nas minhas visitas -, como por exemplo, parques de estacionamento individuais em frente ao restaurante com uma plataforma elevada e uma vedação que permite algumas mesas e cadeiras. O pessoal do restaurante precisa de atravessar o passeio para prestar o serviço. Sabemos que a noite pode trazer mais benefícios para o turismo, mas deve ser planeada, gerida e fazer parte da estratégia de desenvolvimento turístico. No entanto, há desafios ao desenvolvimento da vida noturna e estes também se aplicam a Macau. Duas questões fundamentais são a legislação e a colaboração entre os setores público e privado. Uma estratégia para criar uma cidade excitante e cheia de energia noturna necessita da participação do setor privado e, por conseguinte, de uma perspetiva de retorno do investimento – quer se trate da exploração de restaurantes, bares, discotecas, bancas de artesanato, mercados noturnos, quer de apoio a bandas locais, artistas ou animadores, a fim de aproveitar esta reserva de talentos. As expetativas dos participantes em eventos noturnos podem estender-se a despesas adicionais em comida, bebidas, lembranças e entretenimento como parte da experiência global de valor do evento. Em alguns locais, há necessidade de melhorias para fornecer estes serviços adicionais.
Será necessária legislação e regulamentação específicas para gerir e orientar o desenvolvimento da economia noturna quer se trate de licenças de funcionamento, de música ou de recrutamento de mão de obra qualificada – ou de recursos do setor público, como o policiamento.
Muitas cidades promovem e comercializam a vida noturna como parte do turismo e, por conseguinte, para Macau, a comercialização de imagens e mensagens válidas de uma cidade noturna vibrante, distinta da concorrência, faria parte da estratégia e poderia beneficiar os esforços de diversificação do turismo.
*Professor Associado de Gestão Integrada de Resorts e Turismo da Universidade de Macau