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Verdade e consequência

Paulo RegoPaulo Rego*
Paulo Rego

A China percebeu muito mais cedo que o resto do mundo a verdadeira dimensão da crise pandémica. E o regime foi célere a dar uma resposta musculada e imperativa; isolando populações, paralisando a mobilidade – e a própria economia. O ocidente reagiu tarde – mas depois foi célere na assunção da normalidade pós-vacina. A China esteve melhor, no início – é verdade. Mas hoje está presa a uma política de “casos zero” que se arrasta – com consequências.

O desemprego, sobretudo jovem, começa a atingir dimensões de alerta político, no sentido em que generaliza o descontentamento numa faixa etária sensível da população; com energia de protesto e uma crescente angústia sobre o futuro; a queda do PIB e do rendimento per capita afetam a paz social e a capacidade de investimento – interno e externo… e os cenários económicos indicam, no médio/longo prazo, consistente retração do consumo de grande parte dos bens que permitiram a performance da revolução industrial chinesa.

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Há muitas nuvens no horizonte… e a política de “casos zero” – ainda que legítima do ponto de vista sanitário e resultados que a defendem – tranca a China a uma narrativa de baixa velocidade. Precisamente quando o resto do mundo acelera em direção ao futuro. Esta inversão de velocidades é um revés na dinâmica chinesa. E, como se não bastasse, Pequim entra no mapa do novo normal, revisto a partir da Ucrânia, com uma proximidade a Moscovo que bloqueia relações externas, investimento e comércio. São tempos difíceis para se estar parado em “casos zero”.

Macau é uma peça menor disto tudo, visto a partir de Pequim. Mas tudo isto é absolutamente central para Macau, porque o seu grau de autonomia nada vale perante a estratégia nacional para a gestão pandémica, mobilidade entre fronteiras, ou relações externas…

*Diretor-Geral do Plataforma

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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