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Olá Portugal

Guilherme Rego

Hoje vira-se a página onde ficámos mais de dois anos. Não-residentes portugueses podem agora viajar para Macau, tendo apenas de cumprir os requisitos exigidos aos residentes locais. Durante a semana, várias foram as figuras da comunidade portuguesa a louvar a decisão do Governo na criação deste corredor especial, e piloto. Não é segredo, muito menos para a comunidade em questão, que o seu número na RAEM estava a decrescer perigosamente. Uma comunidade que sempre foi flutuante, perdeu essa característica com a intransigência das autoridades.

As restrições fronteiriças, certas ou erradas, motivaram inúmeras saídas, sem haver a possibilidade de substituir os talentos. Não há ilusões; o objetivo é claro: suprir as necessidades reais do mercado de trabalho.

No setor da educação, por exemplo, fica muito mais fácil colmatar as saídas de professores, que foram muitas. Porém, pedidos negados até agora vão ser atendidos. Muitas famílias separadas em 2020 têm a oportunidade de se reencontrar, ou até de voltar a Macau definitivamente.

Leia também: Macau e a língua portuguesa

Por outro lado, a relação sino-lusófona também sai a ganhar. Os seus agentes podem agora reestruturar e moldar as suas práticas à medida implementada pelo Governo – embora pese os restantes Países de Língua Portuguesa não estarem incluídos no programa. Esta medida reforça o estatuto que se quer para Macau – uma cidade que faça a ponte entre a Lusofonia e a China.

É essencial uma comunidade lusófona grande e variada em termos profissionais. No plano da diversificação económica, é fundamental a presença desta comunidade e de profissionais bilingues. Só assim Macau poderá manter a sua singularidade, importante no contexto de competitividade com a Grande Baía, que vai desviando alguns dos talentos bilingues e negócios sino-lusófonos.

*Diretor-Executivo do PLATAFORMA

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