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Investir no futuro

Paulo RegoPaulo Rego*
Paulo Rego

As previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) para Macau são positivas: o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 15,5 por cento este ano – 23 por cento em 2023. Retoma impulsionada pelo regresso gradual de turistas e fomento do consumo interno. Os níveis pré-pandemia serão recuperados em 2025 – o que até é razoável. Mas os problemas de fundo continuam: dependência excessiva da indústria do jogo, escassa energia política e empresarial na diversificação económica, ausência de visão clara sobre as relações lusófonas.

O investimento ligado às futuras concessões de jogo e a integração na Grande Baía – mais rápido que o esperado – alavancam a recuperação, mas vislumbram crescimento relevante. O FMI prevê, a partir de 2024, convergência estabilizada em 3,5 por cento, com a taxa de inflação a rondar os 2,5 por cento. Ou seja, próximo da estagnação. Entretanto, diminui a capacidade de endividamento das famílias, dada a perda de rendimentos. E os grandes riscos anunciam-se: possível ressurgimento da pandemia, impacto negativo da nova legislação ligada ao jogo – mais rígida – e uma provável crise de larga escala no imobiliário, a nível nacional.

Leia também: O impacto da pandemia e a menor representatividade política em Macau

Antes da pandemia, a fórmula estava há muito anunciada: reforma da Administração Pública – menos burocrática e mais amiga do investimento –, diversificação, incluindo o MICE e as indústrias criativas; e o desenvolvimento de uma sociedade de serviços multilingue, que saiba explorar pontes entre a integração regional e as relações com os países de língua portuguesa. Justiça seja feita, a China desenvolveu o plano teórico. O problema é a prática.

Nem tudo pode depender da governação e uma economia tradicionalmente rentista tem de saber-se libertar-se dos vícios da condução política. E nem tudo correu mal no ciclo pandémico, dada a recuperação em curso. Mas são ainda poucos os sinais que permitem projetar um futuro diferente. E esse tem de ser o foco. Menos briefing e mais capacidade de execução. O caminho é investir no futuro

*Diretor-Geral do PLATAFORMA

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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