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No centro do conflito

Guilherme RegoGuilherme Rego*
Guilherme Rego

História faz-se em ciclos, repete- se, mesmo que os contornos sejam outros. Os motivos que levam à guerra não podem, nunca, ser defendidos como justos, pelo impacto que esta tem numa determinada região e povo. No conflito que agora vigora na Ucrânia, apesar dos avisos, o rescaldo não era previsível. Os testemunhos e imagens que temos à nossa disposição revelam um povo em sofrimento, manchado pela tragédia e pela rescisão de um futuro que jamais será aquele que a 20 de fevereiro ainda era possível.

Leia mais sobre o assunto: Um milhão de pessoas fugiram da Ucrânia na primeira semana

Não só para a população ucraniana, que é sem dúvida a principal vítima, mas também para o mundo, que pelo seu apoio ou falta dele, pinta o novo mapa geopolítico. 

Do lado russo, o chumbo permutou o diálogo, que foi perdendo força à medida que as exigências não foram atendidas. No ocidente a resposta é outra. Afinal, já se provou que a guerra comercial pode ser tão ou mais eficaz. Na aldeia global, o isolamento é morte certa, a não ser que haja quem não deixe morrer… 

A Ucrânia, por querer rasgar com o seu passado soviético, é relembrada da pior forma que tal não será permitido enquanto esse sonho for vivo. O país é umas das vítimas do ego, que tantas fez e irá fazer. Ser líder mundial é impedir que os outros não o sejam, retirando poder e recursos. E esse facto manteve viva a Guerra Fria, que se alimentou de velhos e novos canais. No centro da divisão entre ocidente e oriente, a importância da Ucrânia é inegável. 

Mesmo que Zelesnky e Putin cheguem a acordo, sob as mesmas pretensões em circunstâncias diferentes, as relações estão destinadas a agudizar. A guerra é veneno, repele, distancia, prende-se na memória daqueles que a viveram – e isso já não vai mudar. Para aqueles que apenas a observam, as conclusões tiradas irão ecoar na política externa. Putin, agindo como agiu, deu razão às preocupações ucranianas, que viam na NATO e na UE um mecanismo de defesa ao assédio autoritário. Agindo como agiu, pode ter acelerado aquilo que menos queria – mais afeto dos países fronteiriços à Aliança do Atlântico. 

*Diretor-Executivo do PLATAFORMA

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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