Brasil eleva taxa de juros ao nível mais alto para conter inflação

Brasil eleva taxa de juros ao nível mais alto para conter inflação

O Banco Central do Brasil elevou na quarta-feira a taxa básica de juros em 1,5 pontos percentuais, para 7,75% ao ano, o nível mais elevado em quatro anos, numa tentativa de travar a crescente inflação

O Comité de Política Económica (Copom) do Banco Central decidiu acentuar a sua política de aumentar gradativamente o custo do dinheiro, já que nas duas últimas reuniões só havia aumentado a denominada taxa Selic num ponto percentual, após admitir que a inflação parece estar fora do controlo.

“A inflação ao consumidor continua elevada. A alta dos preços veio acima do esperado, liderada pelos componentes mais voláteis, mas observam-se também pressões adicionais nos itens associados à inflação subjacente”, explicou o Banco Central em comunicado.

O órgão emissor acrescentou que o aumento de 1,5 pontos na taxa de juros foi decidido de forma unânime porque, dada “a deterioração do balanço de riscos” e o aumento das projeções para a inflação, “o novo ritmo de ajuste é o mais adequado para garantir a convergência da inflação para as metas no horizonte relevante”.

Após elevar a taxa de referência desde 6,25% anual em setembro, quando já estava no seu nível mais alto em dois anos, para 7,75% ao ano nesta quarta-feira, o custo do dinheiro no Brasil atingiu o seu maior nível desde setembro de 2017 (8,25%).

Depois de dois anos de recessão (2015-2016) e outros dois de baixíssimo crescimento, as taxas caíram rapidamente no Brasil a partir de 2019, com a chegada à Presidência do líder de extrema-direita Jair Bolsonaro, defensor de um modelo económico liberal, até que se fixaram em 2,0% ao ano em agosto de 2020, mas a partir de fevereiro de 2021 começaram a ser elevadas com o Banco Central atento à inflação.

Este foi o sexto aumento consecutivo na taxa básica de juros do país.

Nem mesmo as advertências de empresários e sindicatos, de que o aumento do custo do dinheiro poderia ameaçar a recuperação da economia brasileira após a retração histórica de 4,1% que o país sofreu em 2020 com a pandemia, tiveram eco no Banco Central.

Pelas últimas projeções de economistas de mercado, o Brasil irá recuperar-se em 2021, com um crescimento de 5,0%, mas em 2022 voltará a enfrentar dificuldades e alguns analistas, como os do banco Itaú, já preveem uma nova retração.

Apesar disso, o órgão emissor está mais preocupado com a inflação, que em setembro foi de 1,15%, p seu maior nível para o mês desde 1994, o que situou a taxa interanual em 10,25%, o índice mais elevado em doze meses desde fevereiro de 2016.

Os economistas do mercado preveem que o Brasil encerre este ano com uma inflação próxima a 9,0%, muito acima do teto.

As preocupações do Banco Central aumentaram na semana passada, após o Governo defender uma manobra fiscal que permitisse ultrapassar o teto dos gastos públicos, uma das principais garantias da política de responsabilidade fiscal, para financiar um programa de distribuição de subsídios a 17 milhões de famílias carenciadas em 2022, ano em que Bolsonaro deverá disputar a reeleição.

“Apesar do desempenho mais positivo das contas públicas, o Copom considera que os recentes questionamentos da política fiscal aumentam o risco de elevação das expectativas de inflação”, segundo o comunicado.

O maior temor da autoridade monetária é que o Brasil afunde na estagflação, ou seja, na estagnação económica com elevada inflação.

Related posts
ChinaEconomia

Inflação na China sobe em agosto

EconomiaMundo

Chavismo busca 'corrigir erros' para atrair investidores em meio à crise na Venezuela

EconomiaMacau

Taxa de inflação em Macau fixa-se em -0,32% em abril

BrasilPolítica

Autonomia do Banco Central é aprovada pela Câmara

Assine nossa Newsletter