Início » Os beneficiados da guerra no Afeganistão

Os beneficiados da guerra no Afeganistão

David Chan

Finda a guerra no Afeganistão, quem foram os beneficiados?

Em dezembro de 2001, os EUA tiraram o poder aos Talibã e George Bush declarou com entusiasmo o fim deste grupo. A revista Time até publicou uma capa sobre os últimos dias dos Talibã. Agora, 20 anos depois, os americanos abandonam o Afeganistão com medo, tendo as forças talibã reconquistado o controlo do país. Uma força de guerrilha de um dos países mais pobres derrotou o inimigo mais forte do mundo. Os Talibã fizeram história, porém, lutar é fácil, difícil é consolidar o poder. Daqui para frente, esse será o desafio.  Passemos então aos beneficiados da guerra do Afeganistão.

Por razões históricas, a Rússia continua a ser um tema sensível no Afeganistão, visto que algumas das atuais forças talibã lutaram contra a União Soviética. Apesar de algum receio de ataques terroristas, a Rússia viu uma melhoria no ambiente geopolítico desde a retirada dos EUA. O país saiu beneficiado e poderá até estabelecer relações diplomáticas com os Talibã num futuro próximo.  

O que mais irrita os americanos é o Irão. Todas as guerras americanas parecem acabar por beneficiar esta nação. O Iraque era o maior inimigo do Irão durante a era de Saddam Hussein. Com a guerra no Iraque, que levou ao enforcamento deste líder, os EUA acabaram por ajudar o Irão. Depois, o maior obstáculo para os iranianos era a presença americana no Afeganistão, mas a derrota trouxe alegria ao país, que já organizou negociações de paz com os Talibã. É impossível os EUA não estarem furiosos. O Irão é o maior inimigo americano no Médio Oriente, porém, os resultados de ambas as guerras foram favoráveis ao país. Saíram beneficiados da guerra no Afeganistão.

A Turquia parece estar ocupada. Quando os EUA retiraram as tropas, todos os países da NATO fizeram o mesmo, menos a Turquia. A embaixada foi inicialmente transferida para o aeroporto, e novamente para Cabul. A derrota americana trouxe uma oportunidade para o país, que é a única nação muçulmana da NATO. Os Talibã convidaram-nos a continuar a operar no aeroporto de Cabul, apesar de alguma apreensão inicial. O que é certo é que a Turquia procura alargar a sua influência na Ásia Central. Enquanto os EUA lutam, a Turquia é outro dos beneficiados da guerra do Afeganistão e vai seguindo os seus passos à procura de um lapso. O mesmo aconteceu durante a guerra do Iraque e da Síria, porque não haveria de se repetir no Afeganistão? 

Para terminar, o Estado Islâmico é o maior vencedor, agora que surgiu um grupo ainda mais radical que a Al-Qaeda, inimigos dos EUA e dos próprios Talibã. O mais irónico é que quando os EUA inicialmente retiraram o poder aos Talibã, os bombardeamentos no Afeganistão causaram não só divisões entre estas forças, como também fizeram crescer o sentimento antiamericano. Contudo, em comparação com este movimento mais radical, os Talibã parecem ser mais moderados, mas foram os EUA que deram vida a estes inimigos que agora lhes fazem a vida negra.  

*Editor chinês do PLATAFORMA

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website