Construir foi difícil, mais ainda será manter - Plataforma Media

Construir foi difícil, mais ainda será manter

Os Talibãs tomaram controlo da capital do Afeganistão mais facilmente do que era esperado. A sua alegria levou a que declarassem o fim da guerra prematuramente e começassem a preparar o início de um novo estado, esquecendo-se de que ainda não possuem total controlo do país. O antigo vice-presidente do “estado fantoche”, Amrullah Saleh, aliou-se às forças resistentes no Norte, que continua a combater os talibãs, e estes possuem ainda alguns conflitos internos, adotando agora uma posição passiva.  

Há 20 anos atrás, quando os EUA invadiram o Afeganistão, os Talibãs foram rapidamente derrotados, a uma velocidade semelhante à da atual destruição do governo de Ashraf Ghani, uma derrota que dividiu o país. O Afeganistão é um país constituído por várias etnias, mas nunca foi um estado unido, significando que cada vez que existe uma mudança de poder o país desmorona. Antes da invasão do exército americano, os afegãos lutaram contra a União Soviética durante 10 anos. Depois destes serem expulsos do Território, a nação ficou de novo dividida, dominada por senhores da guerra e uma série de forças fragmentadas, o que eventualmente levou a que os Talibãs tomassem conta de Cabul alguns anos depois. Porém, visto que ainda não estavam verdadeiramente unificados, foram afastados da capital e seguiram para as zonas montanhosas, como consequência da invasão americana. A Aliança do Norte, cujo líder, Ahmad Shah Massoud, foi considerado um herói nacional após a forma como combateu os soviéticos, cooperando também com os EUA na invasão.  

O povo afegão parece não ter sentimento de compatriotismo, dando prioridade aos interesses da sua etnia. Existem outros grupos para além dos Talibãs que são constituídos por membros de vários clãs, unidos no combate aos invasores. Agora que estes foram expulsos e o seu “estado fantoche” destruído, chegou a altura de formar governo e uma nação. Conseguiram unir forças no passado, agora está na altura de testar o seu espírito humano. Conseguirão os Talibãs resolver estas questões de interesses e união com as várias tribos, etnias e religiões espalhadas pelo Território? Até agora os EUA conseguiram manter os Talibãs unidos, mas daqui para a frente já não será preciso lutar, mas sim cooperar. Os Talibãs parecem muito cuidadosos na forma como estão a estabelecer o seu novo estado e governo. Estão a comunicar com todas as forças envolvidas, procurando evitar repetir o mesmo erro. Mas ainda existe um longo caminho a percorrer. 

*Editor chinês do PLATAFORMA

Este artigo está disponível em: 繁體中文

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