A designação surgiu de forma mediática devido ao modelo de funcionamento da rede, que fazia lembrar um serviço de entrega sob pedido: os clientes contactavam diretamente os fornecedores por telefone ou mensagens, combinando quantidades, preços e locais de entrega, num esquema rápido e discreto que permitia uma distribuição regular de drogas em contexto urbano.
A investigação, que decorreu durante cerca de um ano, teve como principal alvo um homem identificado como Nuno Ricardo Nogueira dos Santos, apontado como líder da organização. As autoridades concluíram que a rede operava de forma estruturada, abastecendo uma carteira diversificada de clientes, desde consumidores ocasionais a profissionais de diferentes áreas, incluindo figuras conhecidas do espaço mediático, embora nem todos tenham sido constituídos arguidos.
No decurso da operação, a PSP conseguiu intercetar comunicações entre os envolvidos e avançar para buscas que permitiram apreender várias substâncias ilícitas, incluindo cocaína, MDMA, LSD, cetamina e outras drogas sintéticas, bem como material utilizado para acondicionamento e quantias elevadas em dinheiro. A investigação indicou ainda a existência de uma logística regular de distribuição na região de Lisboa, com fornecimentos frequentes.
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O processo culminou em tribunal com a condenação do principal arguido a pena de prisão efetiva, enquanto outros intervenientes receberam penas suspensas ou medidas menos gravosas, e alguns foram absolvidos por falta de provas suficientes. O caso ganhou também grande projeção devido ao conteúdo das escutas telefónicas e à associação indireta de nomes conhecidos, o que levantou debate público sobre privacidade, consumo de drogas e o alcance das investigações.
No essencial, o “Uber da Droga” ficou como um dos casos recentes mais mediáticos de tráfico organizado no país, tanto pela sua estrutura operacional baseada em contactos diretos e tecnologia simples, como pelo impacto social e mediático das revelações associadas ao processo judicial.