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Olhar para o mar, e depois?

Johnson Chao*

Macau possui uma área terrestre total de 33 quilómetros quadrados. Em 2015, o governo central chinês definiu a área marítima do território em 85 quilómetros quadrados, sendo superior à área terrestre. Mas será que temos conhecimento suficiente do mar? 

Na semana passada, a Universidade de Macau anunciou o lançamento de uma expedição de investigação marítima na Área da Grande Baía, em cooperação com o Centro de Investigação Marítimo Hong Kong-Macau (CORE), da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, e a Universidade de Xiamen. O objetivo é compreender melhor e ampliar os estudos sobre as águas de Macau, estuário do rio das Pérolas e região Norte do mar do Sul da China.  

O Chefe do Executivo de Macau, Ho Iat Seng, afirmou já existir um esboço de uma Lei de Administração Marítima, estando a administração a trabalhar atualmente em documentos sobre zonamento marítimo funcional e planeamento das áreas marítimas.  

Metade da população mundial vive em zonas costeiras. É extremamente importante para a humanidade conhecer os oceanos. Como cidade costeira, Macau é particularmente sensível às mudanças nos oceanos, com efeitos diretos na sua vida quotidiana. Por essa mesma razão, é essencial detetar rápido as alterações no comportamento do oceano, aumentando o nosso conhecimento marítimo para beneficiar a economia e também a nossa segurança.   

A pesca é dos recursos mais valiosos que o mar proporciona. Segundo o relatório de 2019 sobre a pesca, realizado pelo Departamento de Agricultura da Província de Guangdong, esta indústria enfrenta uma ameaça grave, dado o impacto das águas de saneamentos industriais, urbanos e poluição agrícola. Atividades como reclamação de terras, dragagem de canais e extração de areia deixam vários habitats marítimos destruídos, destabilizando o ecossistema dos animais, a sua ligação a recursos biológicos, e ainda as funções de reabastecimento e produção do setor da pesca.  

Ainda não é clara a forma como Macau, cidade localizada no estuário do rio das Pérolas, irá utilizar o seu desenvolvimento marítimo para diversificar a sua economia e indústrias no futuro.  

*Editor da versão chinesa do PLATAFORMA

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