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Passivo e Ativo

A China usou duas das melhores cartadas contra o ocidente, recentemente. Primeiro, apelando a uma investigação aos EUA, quando o ministro dos Negócios Estrangeiros incentivou à realização de três inquéritos à origem do novo coronavírus e a ligação ao país, incluindo também o início do surto nos EUA, as causas e os líderes responsáveis pela má resposta à epidemia americana e uma investigação a Fort Detrick e outros 200 laboratórios americanos localizados no estrangeiro.

A China pede ainda a toda a comunidade internacional para se juntar nesta luta, apelando a que os EUA cooperem com a investigação e sejam transparentes na partilha de dados. Caso os EUA estejam, de facto, tão preocupados com a identificação da origem do vírus, devem investigar também as fontes americanas. Se os laboratórios são um problema tão relevante, devem inquirir também os do próprio país. O foco de inquérito deve ser o laboratório Fort Detrick, assim como outros 200 laboratórios americanos no estrangeiro. Todavia, devido ao receio de que os EUA não cooperem com a investigação, foi já apresentado um recurso internacional, incentivando à transparência. Afinal de contas, não era isso que o país queria? Não deverão ter qualquer problema em entregar a informação que possuem.

O segundo golpe do ministro foi o pedido de uma investigação ao Canadá, depois de no mês passado terem sido encontrados restos mortais de 215 crianças indígenas enterradas no terreno de um antigo colégio interno. Os mais novos tinham cerca de três anos. A China juntou-se à Rússia, Bielorrússia, Irão, Coreia do Norte, Síria e Venezuela para um apelo a que o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas abra um inquérito sobre este possível genocídio de jovens indígenas. Visto que o Canadá parece sempre tão disposto a investigar alegados genocídios alheios, a comunidade internacional não deve ter problema em examinar o que configura um verdadeiro genocídio.

Estas duas cartas foram bem jogadas, com a China a atacar o ocidente através da opinião pública. Aqueles que constantemente levantam questões de direitos humanos, genocídio e trabalho forçado para criticar a China, agora que o país toma iniciativa para investigar a origem do vírus nos EUA e um alegado genocídio no Canadá, são vítimas de um contra-ataque chinês.

A diplomacia chinesa tem sido até agora serena, clarificando, no máximo, o seu lado quando atacada. No entanto, esta atitude passiva por vezes leva à arrogância da outra parte, tal como com a recente demonização chinesa pelos EUA em relação à origem do vírus e os ataques sobre a questão de Xinjiang pelo Canadá. A reputação chinesa tem sido completamente destruída. Os respetivos interesses postos em causa, deixando o país sem qualquer outra escolha, além do contra-ataque. Se tal não tivesse acontecido, a China não teria tido um comportamento tão pró-ativo ou tão forte.

*Editor Senior do Plataforma

Este artigo está disponível em: 繁體中文

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