Fazer pontes - Plataforma Media

Fazer pontes

O Partido Comunista tem muito a comemorar: reinventou a China, o comunismo… e o próprio capitalismo. Nas últimas décadas deste centenário tirou da pobreza centenas de milhões de pessoas, como nenhum outro regime o fizera. E ainda criou uma superpotência alternativa à hegemonia anglo-saxónica. A China é hoje admirada por uns, temida por outros… combatida por quem lhe disputa o poder.

O caminho dos direitos e liberdades individuais é hoje apertado. Bem mais, por exemplo, do que em ciclos de abertura como os Deng Xiaoping e Zhou Enlai; ou, mais recentemente, Hu Jintao. Mas a História é feita de ciclos e o mundo no qual a China quer ser mais relevante e respeitada é o mundo em que um ciclo de maior abertura voltará.

Há um debate central na China sobre o verdadeiro desígnio de Xi Jinping: o poder pelo poder, eterno e incontornável; ou uso da força agora para uma abertura a seguir que anule os riscos de uma Perestroika à chinesa. A doutrina divide-se. Mas a história política diz que a seguir a um ciclo conservador e musculado surge uma geração mais aberta e liberal.

O Ocidente tende a olhar para a China de forma simplista: elogia a abertura, condena a retração. Aliás, usando-a para contestar o crescimento chinês e retirar-lhe legitimidade. Perante a crítica crescente a Ocidente, a China responde com palavras de ordem e orgulho, contra “100 anos de humilhação”. O ambiente é tenso.

Mas a história política diz que a seguir a um ciclo conservador e musculado surge uma geração mais aberta e liberal.

A diplomacia britânica assume que, quando discorda do lado mais radical norte-americano, alia-se a ele para tentar moderá-lo por dentro. Combatê-lo de frente, dizem, não tem caminho e tudo piora. Macau aceita hoje o que vem da China, integra o músculo que vem do Norte. Não quer dizer que concorde com tudo ou não conheça a sua génese de abertura e o destino de fazer pontes. A China também o sabe, como sabe que isso lhe serve. Entre o passado e o futuro; o comunismo e o capitalismo; o Ocidente e o Oriente… No fundo, entre “nós” e “eles”, fazer pontes é cada vez mais preciso e valioso.

*Diretor-Geral do Plataforma

Este artigo está disponível em: 繁體中文

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