Na escuta, Lacerda Machado terá informado o então primeiro-ministro de que o projeto estava a avançar de forma significativa e que investidores norte-americanos estariam a preparar uma entrada mais robusta. “O projeto está com uma dinâmica extraordinária e, ao que parece, os americanos vão finalmente entrar a sério em Sines”, afirmou o consultor, acrescentando que considerava relevante dar conhecimento da evolução.
António Costa respondeu fazendo referência a contactos com o chefe de gabinete da altura, Vítor Escária, e comentou o contexto político europeu em relação aos investidores norte-americanos. A conversa, agora tornada pública, é considerada pela investigação como relevante por demonstrar que existiram contactos sobre o projeto, contrariando declarações anteriores dos envolvidos.
Leia mais: António Costa deixa cargo de Primeiro-Ministro em Portugal. “Obviamente, apresentei a demissão”
Em novembro de 2023, António Costa afirmou em conferência de imprensa que Diogo Lacerda Machado “nunca por nunca” tinha abordado consigo o projeto do data center de Sines. Já o consultor, em sede de recurso judicial, alegou não existir prova de qualquer contacto direto com o então primeiro-ministro sobre o assunto.
A escuta agora conhecida é vista como potencial elemento de contradição dessas versões, reforçando a dimensão política e judicial da investigação.