A iniciativa, revelada por um responsável iraniano citado sob anonimato pela Reuters, procurava criar um enquadramento político e de segurança mais favorável para conversações futuras, adiando deliberadamente os dossiês mais complexos.
Segundo essa fonte, o plano previa numa primeira fase garantias de não agressão por parte dos Estados Unidos e de Israel, bem como a reabertura do tráfego marítimo no estratégico Estreito de Ormuz. Em paralelo, Washington levantaria restrições impostas a navios provenientes de portos iranianos.
“Dentro desta lógica, a questão nuclear, por ser mais sensível e complexa, foi remetida para uma fase final, precisamente para permitir a criação de um ambiente mais propício ao entendimento”, afirmou o responsável iraniano.
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A proposta incluía ainda cinco eixos principais: o fim formal do conflito com garantias de não agressão futura; a reabertura do Estreito de Ormuz; a suspensão de bloqueios norte-americanos ao comércio marítimo iraniano; a realização de negociações futuras sobre o programa nuclear em troca do levantamento de sanções; e o reconhecimento, por parte de Washington, do direito do Irão ao enriquecimento de urânio para fins civis.
A iniciativa acabou por ser rejeitada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que afirmou não poder aceitar os termos apresentados, sem detalhar quais os pontos considerados inaceitáveis.
O impasse mantém-se num dos principais dossiês de tensão no Golfo Pérsico, numa altura em que o Estreito de Ormuz continua a ser uma das rotas marítimas mais estratégicas do comércio global de energia.