O desenvolvimento sustentável”, diz Danny Leong - Plataforma Media

“O arrependimento impulsiona o desenvolvimento sustentável”, diz Danny Leong

O biólogo de Macau Danny Leong Chi Man, responsável pela descoberta da “Leptanilla macauensis”, uma espécie de formiga, acredita que o desenvolvimento sustentável está a entrar numa nova fase. Em entrevista ao PLATAFORMA, afirma que o arrependimento pode impulsionar o desenvolvimento sustentável da humanidade e ajudar as próximas gerações a sobreviver.

Danny Leong, aluno de doutoramento na Universidade de Hong Kong, estuda ecologia e biodiversidade, assim como os efeitos das subidas de temperatura em animais poiquilotérmicos (de sangue frio) como cobras, lagartos e formigas. O investigador alerta que o aquecimento global pode levar a uma crise na alimentação.

“O aquecimento global leva a que animais poiquilotérmicos tenham uma vida mais curta e sejam mais pequenos. Ao longo dos próximos 20 ou 30 anos a dimensão pode reduzir-se para metade, levando a uma redução na fonte de alimentação de aves para consumo humano, e impactando assim os recursos alimentares disponíveis”, adverte.

 Danny Leong salienta igualmente que é importante promover hábitos alimentares sustentáveis, incluindo dietas vegetarianas e o uso de insetos como fonte de proteína.

Em 2010, durante a Convenção sobre Diversidade Biológica que teve lugar no Japão, mais de 190 países definiram vários planos para proteger a biodiversidade entre 2010 e 2020. 

Todavia, Danny Leong aponta que, segundo dados recentes, nenhum desses estados conseguiu atingir os objetivos a que se propôs. 

A proteção da biodiversidade é altamente importante para um desenvolvimento sustentável, aponta.

“Todos os organismos são interdependentes, por isso desde que cada um se mantenha estável não há risco de epidemias. Esta recente pandemia é o resultado de um mau cuidado da vida selvagem e maior contacto entre estes e a civilização humana”, assinala.

Como é que Macau se relaciona com o desenvolvimento sustentável? Danny Leong espera que os projetos de reclamação de terras e escavações presentes no Projeto do Plano Diretor possam ser reduzidos. 

“Podemos escolher apenas um dos projetos, ou reduzir ambos por metade, e conseguir assim um desenvolvimento sustentável. Escavações reduzem o número de plantações que consomem dióxido de carbono, e por isso contribuem diretamente para o aquecimento global. Também nos oceanos existem vegetações que ajudam a produzir oxigénio”, lembra. 

Para o biólogo, o princípio de sustentabilidade é bastante simples: não atingir nenhum limite para evitar consequências extremas. 75 por cento do território mundial e 66 por cento do território marítimo já se encontram poluídos ou com alterações de impacto humano, assinala.

 Por isso, espera que o Governo de Macau, além da constante preocupação com um desenvolvimento diversificado da cidade, invista mais recursos na procura de soluções para um desenvolvimento sustentável, como investigação na área de medicina tradicional chinesa, por exemplo.

“Existem mais de 500 tipos de medicamentos na medicina tradicional chinesa com origem em insetos, incluindo alguns besouros encontrados em Macau, que podem ser utilizados como tranquilizantes para doentes a receber tratamento de radiação para cancro do fígado. Haverá alguém em Macau capaz de avaliar a nossa biodiversidade e compreendê-la de forma alargada o suficiente para a transformar em produto comercial”, pergunta.

Danny Leong considera que muitas vezes algo parece inútil apenas porque ninguém investiu tempo e recursos suficientes para encontrar o respetivo valor. 

Para o investigador, “a natureza é um ser complexo”. “Caso a Terra desapareça e o nosso ecossistema seja destruído, quem sofrerá mais? Os mais velhos ou os mais novos” foi uma das perguntas que levantou na concersa com o PLATAFORMA. A resposta não ficou por dar: “os mais velhos”. 

E concluiu: “Os adultos irão sentir-se arrependidos por tudo o que perderam. Um plano para o desenvolvimento sustentável deve procurar criar um ambiente que garanta a sobrevivência das próximas gerações e a continuação da humanidade. Acredito que o arrependimento é a motivação da humanidade para se desenvolver de forma sustentável.” 

Este artigo está disponível em: 繁體中文

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