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Interesses mútuos

Na noite da passada segunda-feira, o presidente Xi Jinping reuniu-se por videochamada com a chanceler alemã e atual presidente rotativa da União Europeia, Angela Merkel, assim como o presidente do Conselho da União Europeia, Charles Michel, e com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Xi salientou que tanto a China como a UE devem promover e desenvolver uma parceria estratégica e extensa entre si, escolhendo coexistir de forma pacifica e apoiar o multilateralismo.

Os líderes da China e UE anunciaram a assinatura do “Acordo de Indicações Geográficas China-UE”. Segundo este documento, 100 produtos e nomes de indicações geográficas de cada região estarão protegidos no mercado, sendo prevenida a entrada de imitações. Isto significa, por exemplo, que apenas espumante produzido na região de Champagne em França poderá ser chamado de “champanhe”. Do lado chinês estão incluídos produtos como Anji Baicha e passas de Turpan. As duas regiões decidiram também estabelecer entre si um ambiente de comunicação sobre a atual situação climática e acelerar negociações para um possível acordo sobre investimento entre a China e a UE. 

Depois de Yang Jiechi, membro do Politburo do Partido Comunista da China e diretor da Comissão Central dos Negócios Estrangeiros, e Wang Yi, Ministro dos Negócios Estrangeiros, terem realizado visitas à Europa, agora foi a vez de Xi Jinping representar a China. O presidente salientou o valor que Pequim oferece à relação com a Europa e a vontade de usar a nova diplomacia com o continente para lidar com a tentativa norte-americana de reter a China. 

A cooperação entre a China e a UE possui bases sólidas e com amplas oportunidades e, em comparação com a relação sino-americana, sofre de muito menos conflitos. O ataque norte-americano à China centra-se sobretudo na área das tecnologias de ponta e internet, e a Europa não possui empresas de produção de chips ou grandes empresas no campo da internet. O mercado chinês atualmente também assume uma posição indispensável para o mercado tradicional europeu, sendo que muitas empresas dependem desse mercado. A alemã Volkswagen, por exemplo, retira 40 por cento dos lucros da China. Assim sendo, embora a China não possa esperar que a Europa se una ao país na luta contra a hegemonia norte-americana, poderá conseguir que o continente se mantenha neutro. Apesar da aliança entre os EUA e a UE, trata-se apenas de uma ligação de interesses. Não existem aliados para a vida, apenas interesses constantes. E laços motivados apenas por interesse facilmente se desatam face a um lucro maior. As alianças são feitas para serem quebradas, tal como um limite que deve ser ultrapassado, e o mundo está a mudar mais rápido do que qualquer um de nós alguma vez esperou. Ambas as regiões possuem interesses mútuos, a China precisa de lutar contra os limites norte-americanos e a Europa precisa de um grande mercado de consumo. Este acordo representa apenas o início de uma cooperação futura. 

‭*Editor Senior

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