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O método “Laranja Mecânica”

O ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta, anunciou hoje que foi demitido por Bolsonaro. O titular da pasta revelou sensatez na defesa da quarentena e de medidas de isolamento social e ousou enfrentar publicamente o “chefe”. Um “erro” que pagou caro. Nos Estados Unidos, Donald Trump declarou guerra ao epidemiologista Anthony Fauci, conselheiro da Casa Branca depois de este ter criticado a aplicação tardia das medidas de contenção no país. Também anunciou que ia suspender o financiamento norte-americano à Organização Mundial de Saúde (OMS) por causa do alegado apoio da OMS a Pequim.

Depois de tudo isto passar, seria interessante ver um painel de penalistas, dos melhores a nível mundial, a concentrar-se em reunir elementos de prova para levar Trump, Bolsonaro, Xi JInping, Aleksandr Lukashenko (da Bielorússia), e outros estadistas, ao Tribunal Penal Internacional para responderem por crimes de guerra, de atentarem contra os seus próprios povos.

Como isso pode estar no plano do impossível, e para não sairmos do surreal, sugiro a aplicação aos ditos do método “Laranja Mecânica”. No livro de Anthony Burgess, publicado em 1962 e adaptado ao cinema por Stanley Kubric, Alex, o protagonista, lidera um gangue de jovens marginais que espalham o caos, através de atos de violência gratuita.

Depois de ser preso e julgado pelos atos, Alex aceita fazer parte de um tratamento psiquiátrico que reduziria o tempo da sua pena. Preso numa cadeira, com um capacete na cabeça ligado a fios elétricos, de olhos grampeados para estarem sempre abertos, Alex é obrigado a assistir a horas contínuas de cenas de violência, sexo e torturas de guerra, sempre com doses de música “sinistra” a acompanhar.

Conseguem imaginar Trump e Bolsonaro presos à cadeira, de olhos bem abertos, forçados a visionar durante horas a fio imagens como as que nos chegaram de Itália, Espanha ou Nova Iorque? Sim, que pensamento horrível, eu sei. Lamento não conseguir atingir o estado zen de os tentar compreender ou aceitar.

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