Cuidar dos afetos - Plataforma Media

Cuidar dos afetos

A ocupação do tempo muda drasticamente, tendo agora, apenas, o espaço em família.

Os filhos passam mais tempo com os pais, o que é benéfico, sobretudo para os mais novos. Mas os entraves ao contacto com colegas e amigos impede interação presencial, influenciando a qualidade das relações familiares. O padrão relacional agressivo ou abusivo tem sempre impacto negativo na construção do mundo interno, explica o pedopsiquiatra Pedro Strecht – “Olha Por Mim”.

O cansaço dos dias que se repetem, os deveres escolares em casa, a ausência dos amigos, a alteração das rotinas… pode perturbar a relação entre pais e filhos, alterando os comportamentos, bem como os padrões relacionais espelhados nos seguintes exemplos: a expressão de uma criança de 6 anos, repreendida: “Oh mãe, eu queria que tu gostas de mim… podemos ser amigos outra vez?”. Parece sentir ausência de aceitação. Ou na expressão de uma jovem: “O mais difícil são os meus irmãos” (mais novos); rapidamente corrigindo: “´É só às vezes”, como quem alivia o peso da culpa. Finalmente, nas palavras de uma mãe: “Os meus já não chateiam, estão agarrados ao Ipad”, transparecendo o cansaço da clausura em família. Mas “O amor não é ausência de cansaço; se o fosse, os pais não poderiam amar os filhos”, escreve Luís Osório – “Amor”.

Os mais novos carecem da atenção e do afeto dois mais velhos – ajuda na contenção dos comportamentos, incluindo a estruturação de regras e limites; precisam de quem os escute e transmita segurança e modelos de relação positiva. À luz de um criança de 10 anos: “Acho que todos temos dois lados; se queremos que um ganhe, temos de lhe dar força todos os dias”.

Neste tempo é preciso falar a linguagem dos afetos, manter o respeito pelo outro, ouvir, pensar, aprender a conhecer melhor… filhos e pais, “dando-lhes força todos os dias”! Felizes são os que acreditam no valor da relação humana!

Assine nossa Newsletter