Os reguladores chineses convocaram representantes da cadeia norte-americana de supermercados Walmart devido a “vários problemas de segurança alimentar” registados nas lojas Sam’s Club, pertencentes ao grupo.
Num comunicado divulgado esta segunda-feira (15) no portal oficial, a Administração Estatal para a Regulação do Mercado (SAMR) informou que realizou recentemente uma “reunião formal de responsabilização” com dirigentes da Walmart, exigindo o cumprimento rigoroso das normas chinesas de segurança alimentar.
As autoridades determinaram que a Sam’s Club deve “colocar a segurança alimentar em primeiro lugar, cumprir rigorosamente as suas responsabilidades sociais corporativas, reduzir os riscos na cadeia de abastecimento e proteger a saúde pública”.
A cadeia esteve envolvida em vários incidentes em diferentes regiões da China ao longo do último ano, tanto em lojas físicas como em entregas ao domicílio, incluindo denúncias de consumidores, que alegaram ter encontrado larvas ou ratos em produtos alimentares, segundo o jornal de Hong Kong South China Morning Post.
Leia também: IAM deteta bactérias perigosas em dois restaurantes de Macau
O jornal descreve a Sam’s Club como um “símbolo de estatuto” entre as famílias chinesas de classe média, que conquistou popularidade através da promoção de elevados padrões de controlo de qualidade e de uma oferta de produtos selecionados. No final do ano passado, a empresa contava com 63 lojas na China.
Embora as críticas públicas à Walmart sejam particularmente relevantes por envolverem uma empresa norte-americana num contexto de tensões sino-americanas, Pequim tem vindo a reforçar a fiscalização da segurança alimentar, aplicando igualmente sanções a empresas chinesas.
Em abril, a SAMR multou sete gigantes do comércio eletrónico, entre os quais a Pinduoduo, proprietária da Temu, e a Taobao, plataforma do grupo Alibaba, em mais de 530 milhões de dólares (456 milhões de euros), por permitirem a atividade de produtores alimentares sem as certificações exigidas.
A decisão incluiu ainda multas de cerca de 2,9 milhões de dólares (2,5 milhões de euros) aos representantes legais e responsáveis pela segurança alimentar dessas empresas.
A Walmart, a 17.ª maior empresa do mundo em valor de mercado, já tinha enfrentado atritos com as autoridades chinesas devido à sua resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Em março do ano passado, o Ministério do Comércio chinês convocou executivos da multinacional para discutir alegadas pressões exercidas sobre fornecedores chineses para reduzirem preços e absorverem parte do impacto das tarifas norte-americanas. A empresa não alterou a sua posição após esse encontro, segundo a imprensa local.
Posteriormente, uma conta associada à televisão estatal chinesa CCTV publicou uma mensagem nas redes sociais em tom de advertência: “Se insistirem nesta abordagem, as consequências poderão ir além de uma simples reunião”.