Gastronomia macaense e a criatividade - Plataforma Media

Gastronomia macaense e a criatividade

Depois de Macau ter sido considerada “Cidade Criativa UNESCO de Gastronomia”, a Direção dos Serviços de Turismo quer aproveitar esta oportunidade para fazer de 2018 o Ano da Gastronomia de Macau. 

Existe um provérbio chinês que diz “A alimentação é o Deus do povo”, e também já dizia Confúcio que “o apetite é algo natural”. Por isso, podemos considerar que a alimentação é algo fulcral na natureza humana, algo importante para as pessoas. Na sociedade contemporânea tudo existe em abundância, e novos alimentos estão constantemente a ser produzidos. Já desde cedo que Macau tem fama na área gastronómica. O facto de o seu porto estar aberto há mais de 500 anos fez com que este fosse o único porto de comércio internacional chinês. Um ponto de encontro entre a China e o Ocidente, foi a primeira via de troca comercial, cultural e, claro, gastronómica. Por essa razão, ainda muitos dos alimentos da nossa dieta de hoje têm origem em Macau, tendo posteriormente sido levados para todas as outras partes da China. Esta realidade ainda está refletida em todos os alimentos com nomes com carateres como, ‮!’&‬و‮!(‬‭, ‬‮!’&‬و،v‮!(‬ e ‮!’٥‬f‮!(‬‭,‬ etc. Além disso, a gastronomia macaense ao longo dos últimos séculos tem absorvido influências estrangeiras e chinesas, transformando-as numa dieta local criativa e diversa, tendo-se sempre mantido na linha da frente ao longo da evolução do contexto social em que está inserida. Por exemplo, a massa de Wonton e os Wontons que comemos hoje têm origem nos ‮!’❊‬‭_‬‮٦‬؛‮!(‬ (hún dùn) de Zhejiang e Xangai. No entanto, estes têm apenas recheio de carne. Em Macau, devido à riqueza em marisco, o recheio é de pequenos camarões, tornando-se assim numa das suas iguarias. Estes não têm menos valor que os tradicionais‭ ‬‮!’❊‬‭_‬‮٦‬؛‮!(‬ (hún dùn) da zona de Xangai, Jiangsu e Zhejiang, sendo até já famosos em toda a China há vários séculos. Por outro lado, os chineses em Macau são oriundos das províncias do Sul, por isso, tal como outros cantonenses, têm o hábito do chá da manhã (yum cha). Só apenas depois de um ou dois copos de chá se dá inicio ao dia de trabalho. A mesma chávena de chá Puer e os dois cha siu bao todos os dias acabam por gerar algum tédio, por isso, vários estabelecimentos locais começaram a criar novas iguarias. Chamam-lhes “iguarias da semana”, e estas atraem imensos clientes todos os dias. Os dois exemplos anteriores refletem bem a capacidade da indústria gastronómica macaense de se adaptar ao seu ambiente em constante mudança. Nos últimos anos, desde que a sociedade tem promovido uma maior consciencialização e proteção da ecologia marítima, os preços das barbatanas de tubarão dispararam. Em alguns banquetes até existe a exclusão total da sopa de barbatana de tubarão da ementa, sendo esta substituída por outros pratos de forma a ir de acordo com esta nova atitude. 

Embora os fenómenos anteriores tenham sido motivados por mudanças nos comportamentos sociais, Macau está cheio de muitos outros exemplos de criatividade gastronómica. Como por exemplo a “sopa macaense de ossos”, com origem nos anos 60, ou o “peixe frito com sal e pimenta” criados nos anos 70, pratos mundialmente famosos há já várias décadas.  

DAVID Chan  02.02.2018

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