Novo nome e nova rota para os 18 anos da RAEM - Plataforma Media

Novo nome e nova rota para os 18 anos da RAEM

O “Desfile Internacional de Macau”, integrado nas comemorações do 18º aniversário do estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau, vai sair à rua no domingo, dia 17 de dezembro, com uma nova rota, a previsão de mais público e um orçamento de 16 milhões de patacas. 

De acordo com Leung Hio Ming, presidente do Instituto Cultural (IC) à data da entrevista*, nas ruas da cidade são esperadas “pelo menos 150 mil pessoas” para assistir à parada que este ano vai terminar na Praça do Lago Sai Van, em vez da Praça do Tap Seac. 

Na segunda edição do evento, em 2012, estiveram cerca de 100 mil espetadores e, no ano passado, o número chegou aos 120 mil. 

Iniciado em 2011 sob a designação “Desfile por Macau, Cidade Latina”, o evento adotou este ano, na 7a edição, o nome “Desfile Internacional de Macau 2017”, tendo como tema “Histórias da Cidade de Macau e do seu Património Histórico”. 

“Esta ideia do desfile teve como base a cidade latina. Agora, já é um evento maduro e pretende ter uma maior internacionalização, mas o desfile contará sempre com elementos latinos”, disse o então presidente do IC*. 

“Macau, sendo uma plataforma importante para os países lusófonos, vai sempre respeitar esses elementos”, acrescentou, justificando a mudança de nome com base no objetivo de o destino se afirmar como centro mundial de turismo e lazer. 

Em relação ao tema deste ano, o Governo pretende inspirar a criatividade dos artistas participantes “no amor à mãe pátria e por Macau”, apontou. 

O antigo presidente do organismo* defendeu que o Desfile passou a ser um dos eventos culturais mais importantes da cidade. 

“Também se transformou numa marca cultural da cidade e num dos maiores eventos de celebração da transferência da administração de Macau para a China”, frisou.  

Novo percurso

Chan Peng Fai, na altura da entrevista*, vice-presidente do IC, indicou que o percurso deste ano sofrerá alterações, passando a ser de 2,3 quilómetros, ligeiramente mais comprido do que os anteriores. 

“A rota do desfile deste ano quebra com a tradição das edições anteriores, tendo como objetivo oferecer novos elementos e pontos de vista a residentes e turistas”, explicou. 

O desfile arranca nas Ruínas de São Paulo pelas 15h00, sendo que os espetadores devem entrar na zona pela Rua de Dom Belchior Carneiro. Depois de os grupos passarem pelas Ruínas, seguem para o Largo de São Domingos, Largo do Senado, Travessa do Roquete, Largo da Sé, Avenida da Praia Grande, Avenida Panorâmica do Lago Nam Van e Avenida Doutor Stanley Ho. 

“A Avenida Panorâmica do Lago Nam Van vai transformar-se numa ‘pista de dança vibrante’, constituindo a zona de atuação principal do Desfile”, indicou o IC.

O encerramento da festa dá-se na Praça do Lago Sai Van, em frente à Torre de Macau, com a atuação em palco dos principais grupos participantes. Está previsto que as apresentações finais comecem às 18h30. 

O percurso vai estar dividido em 14 zonas, terá 37 pessoas destinadas a controlar a entrada e saída da assistência nas áreas de acesso condicionado, contando ainda com o apoio de trabalhadores do IC e voluntários.

As restrições ao trânsito começam já amanhã, sábado, com a proibição de estacionamento nalgumas zonas, continuando no dia seguinte, com limitação ou mesmo encerramento ao trânsito. 

Mais concursos para os participantes

Segundo Leong Chi Kin, do IC, a edição deste ano vai contar com seis concursos nos quais poderão participar os grupos locais. As atuações vão ser avaliadas por um painel de jurados que vai classificar o “tema do desfile”, “melhor imagem”, “melhor criatividade”, “paixão e energia”, “rei do desfile” e “rainha do desfile”.  

Há ainda a possibilidade de os grupos participarem no “desfile de grupos artísticos” em regime de tema livre, “expressando a sua criatividade sem limites”, indicou.

O IC irá também levar a cabo uma série de atividades complementares que incluem, por exemplo, mini-desfiles cujo objetivo é promover a arte junto da comunidade, bem como um concurso de fotografia e jogos com prémios. O IC esclareceu que o orçamento do evento conta com mais um milhão de patacas do que no ano passado, ou seja, um total de 16 milhões. 

O evento pretende ainda “promover o desenvolvimento e a diversificação das indústrias culturais de Macau, criando oportunidades para os artistas locais observarem e desenvolverem intercâmbios culturais com grupos performativos internacionais”, sublinhou a organização.  

* Nota: Leung Hio Ming e Chan Peng Fai demitiram-se dos cargos de presidente e vice-presidente do IC respectivamente, na quinta-feira. A decisão dos responsáveis surge na sequência dos processos disciplinares por causa de contratações irregulares no IC. Cecília Tse Heng Sai, antiga subdirectora dos Serviços de Turismo, é a nova presidente do organismo. 

Transmissão em Hong Kong

Este ano a organização do desfile entrou em acordo com canais de televisão de Hong Kong para a transmissão de excertos do evento, alargando assim a visibilidade do desfile. 

A estação televisiva TVB irá transmitir no popular programa “Scoop” uma apresentação do evento, hoje (dia 15) e no dia 21 de dezembro, e um Especial Desfile no serão do dia 23 de dezembro, no qual irá rever os destaques do evento. 

A TDM – Teledifusão de Macau transmitirá em direto o evento na totalidade. Vão ser instaladas telas para transmissão em direto na Praça das Portas do Cerco, no Jardim de Iao Hon, na Rotunda Carlos da Maia e na Rua de D. Belchior Carneiro. 

Mais de 500 ‘embaixadores’ 

O Intituto Cultural (IC) conseguiu recrutar cerca de 550 voluntários que vão vestir a camisola de ‘Embaixadores do VIVA’ e que ficarão responsáveis por garantir que todas as etapas do Desfile decorram dentro da normalidade. O grande grupo reuniu-se a 2 de dezembro na escadaria das Ruínas de São Paulo para prestar juramento e para receber uma primeira parte da formação. Os voluntários estão divididos em vários grupos que devem cumprir tarefas específicas, tais como inspeção dos locais, controlo de multidões, manutenção da ordem pública, distribuição de lembranças e assistência na interação entre os artistas e o público. “A participação dos Embaixadores do VIVA é crucial para a realização do desfile, permitindo ao público desfrutar do mesmo de forma segura, ordenada e alegre”, justificou o IC. Os voluntários foram recrutados sobretudo junto a associações de jovens e escoteiros. 

Marionetas mexicanas na Barra

Antes do arranque do desfile, no domingo, a companhia mexicana de teatro de marionetas Luna Morena irá fazer uma apresentação no Largo do Pagode da Barra, com entrada gratuita. A apresentação acontece nessa noite, pelas 20h00. Para a atuação em Macau, o grupo traz Arka, uma criação infantil que promete encantar pessoas de todas as idades.  

Riqueza cultural e natureza em destaque

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Nesta 7a edição do desfile que comemora a transferência de administração de Portugal para a China e o estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau, 49 grupos locais vão sair à rua para mostrar a diversidade cultural do território. 

Da Associação Casa do Brasil em Macau, chega o tradicional Carnaval, a Casa de Portugal em Macau vai focar-se na reflorestação da cidade, e o Grupo e Danças e Cantares Portugueses Macau no Coração aposta no cruzamento de culturas.

Estes três grupos locais ouvidos pelo PLATAFORMA já têm tudo a postos para o grande desfile e mostram-se, sobretudo entusiasmados com o novo percurso deste ano. 

“Nos desfiles anteriores tínhamos de passar por ruas muito estreitas, o que dificultava a interação com o público. Este ano, finalmente o desfile vai descer das Ruínas de São Paulo até ao Largo do Senado e, por isso, temos a certeza de que será uma grande festa”, aponta Carla Fellini, vice-presidente da Casa do Brasil.

A única associação brasileira da RAEM agrupou 30 integrantes divididos em três alas, que pretendem mostrar a diversidade do Carnaval do Brasil. Na frente, partem Emília e o Visconde de Sabugosa, duas personagens do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, famosa série literária adaptada para televisão, acompanhados de um mágico, de um verdadeiro gaúcho (natural do Rio Grande do Sul) e de uma baiana autêntica, uma componente obrigatória em todos os desfiles de Escolas de Samba do Rio de Janeiro. 

“Na verdade, a nossa intenção era ter uma verdadeira Ala das Baianas, com as suas grandes saias rodadas. Mas infelizmente não tivemos tempo de mandar fazer todas as roupas necessárias”, lamenta a responsável.

De seguida, vem a maior das alas, com mais de 15 membros, vestindo túnicas com cores tropicais e chapéus pretos e a desfilarem ao estilo ‘bloco de rua’. Para fechar, um pequeno grupo de dançarinos pretende transformar o percurso do desfile num sambódromo, fantasiados a rigor, com pouca roupa como manda a tradição no Rio de Janeiro. 

“Temos 16 estandartes, cada um deles decorado com máscaras do nosso Carnaval e com elementos que remetem a ícones de Macau. O nosso grande objetivo é mostrar um pouquinho do que é o nosso famoso Carnaval”, frisa Carla Fellini.

Esta também é a estreia da Casa do Brasil de Macau nas celebrações do aniversário da transferência. 

Como explica a vice-presidente da associação, nas edições anteriores a organização nunca se havia candidatado. Fazia parte como convidada por outra associação local. 

“Este ano, e devido todas as mudanças que houve em termos da organização do evento, decidimos tentar participar de forma independente e fomos aceites. É um grande desafio para nós”, aponta Carla, que para o ano espera ter preparado um guarda-roupa muito brasileiro, com figurinos doados pelas Escolas de Samba do Rio de Janeiro. 

Árvores para as gerações futuras

A passagem do tufão Hato, a 23 de agosto deste ano, e o rastro de destruição que deixou na cidade foi o mote para a preparação da Casa de Portugal em Macau. A intenção é encher as ruas de Macau com árvores humanas e sensibilizar, tanto residentes como turistas, para a importância que as zonas verdes têm na qualidade de vida de todos.

Segundo Diana Soeiro, membro da direção da associação, o conjunto de árvores que vai andar pelas ruas no domingo inspira-se na reconstrução de Macau. 

“A nossa expetativa é a de sensibilizar para a necessidade de fazer renascer as árvores destruídas, que são muito importantes para o ambiente de Macau e para o bem-estar da população, a qual deu tantas provas de solidariedade e empenho coletivo no rescaldo do tufão”, explica a responsável.

Também Amélia António, presidente da Casa de Portugal em Macau, enfatiza a mensagem que quer espalhar no domingo. 

“Queremos mostrar que há uma cidade a precisar de ter o seu verde reconstruído. É uma chamada de atenção para uma coisa que achamos que merece atenção”, diz.

A Casa de Portugal em Macau, fundada em 2001, é uma das associações veteranas nas celebrações do estabelecimento da RAEM, tendo participado em todas as seis edições anteriores. 

Mistura de culturas

A tradição do Grupo e Danças e Cantares Portugueses “Macau no Coração” une-se, mais uma vez, à contemporaneidade do ArtFusion, para encher as ruas de Macau com muita cultura. 

Os dois grupos, que contam com 25 integrantes no total, vão fazer a sua performance sob o lema da fusão de culturas. Macau, China e Portugal vão ser assim representados por diversas personagens, trajados com os mais variados figurinos e adereços.

A presidente do “Macau no Coração”, Ana Manhão Sou, conta ao PLATAFORMA que os elementos que figuram no desfile foram cuidadosamente selecionados, e contam com fortes alusões a cada uma destas três culturas em destaque, permitindo, por um lado, uma fácil identificação da identidade cultural individual e, por outro, o grande cruzamento de culturas que houve no passado.

Respeitando o tema “Histórias da Cidade de Macau e do seu Património Histórico”, escolhido para a edição deste ano das celebrações, a associação local tem grandes expetativas em que que o evento seja “uma parada cheia de cor e energia, durante a qual várias gerações se unem numa festa para comemorar Macau”, enfatiza Ana Manhão Sou.

Desde a primeira edição, em 2011, que o “Macau no Coração” tem marcado presença nas comemorações da transferência, mas este ano o grupo acredita que o evento será ainda mais especial. 

“Os figurinos e personagens que vamos levar ao desfile distinguem-se pela tradição através dos elementos visuais e históricos que traduzem a identidade e cultura de Macau, Portugal e China. Desde a gaiola chinesa, ao coração de Viana, o panda e a flor de lótus, Macau é isto e muito mais”, antecipa a responsável. 

E conclui: “Queremos mostrar uma certa versatilidade, aliando a criatividade à história da RAEM, as tradições às novas gerações. Isto é Macau.” 

‘Lhaços’ ao som da gaita-de-foles

Pauliteiros

Não é só uma dança. É reminiscência de uma dança guerreira, dança de homens que se catapultam em saltos no assalto ao castelo, combatendo inimigos imaginários. Ou seja, é na verdade um ‘lhaço’, termo mirandês que explica a dança com os paus. 

Os Pauliteiros de Miranda, grupo folclórico do nordeste transmontano português, acompanhados pelos músicos do Galandum Galundaina, são um dos quatro grupos lusófonos convidados a apresentar as tradições no Desfile Internacional de Macau. 

Chegam ao território com os seus trajes a imitar as armaduras greco-romanas e prometem reter a atenção com os sons da gaita-de-foles e do bombo. 

Em entrevista ao PLATAFORMA, Paulo Meirinhos, músico e porta-voz do grupo, conta que as expetativas para o evento são muito elevadas e espera que o público local fique a conhecer um pouco mais desta tradição cuja origem remonta à ocupação celta da região nordeste de Portugal. 

PLATAFORMA – O que é o grupo dos Pauliteiros de Miranda?

Paulo Meirinhos – Em praticamente todas as aldeias da zona de Miranda do Douro existem grupos de Pauliteiros. Nós somos de Fonte de Aldeia, que tem, desde tempos imemoriais, grupo de pauliteiros – aliás, o primeiro registo escrito sobre este tipo de dança alude precisamente a Fonte de Aldeia. Esse grupo atuava especialmente na festa de Santa Bárbara, uma comemoração, sobretudo com muita dança. Os Pauliteiros percorriam as ruas da aldeia a pedir esmola para essa festa, porque era o organizador (ou seja, o mordomo) dessa celebração. A partir de finais da década de 1950, a tradição perdeu-se. Veio a ser recuperada em 1998, graças a um grupo de jovens orgulhosos da sua terra, tradição e cultura, e que estava determinado a aprender e mostrar ao mundo esta dança tão característica das Terras de Miranda. Desde 2000 que o grupo se encontra ligado a Galandum Galundaina, agrupamento de música tradicional mirandesa. O grupo serve normalmente a tradição ancestral das Terras de Miranda, animando as festas, fazendo peditórios. Como existem muitos convites para apresentar esta tradição fora da região, temos a oportunidade de percorrer o país de norte a sul e ilhas. Além disso já tivemos muitas apresentações na vizinha Espanha, bem como em França, na Alemanha, na Bélgica e até em Cuba. O grupo de oito elementos dança ao som da gaita-de-foles, caixa e bombo. Contando com os quatro músicos do Galandum, ao todo somos 12 pessoas rumo a Macau. 

P – Como surgiu o convite de participar no Desfile Internacional de Macau?

P. M. – Este convite foi dirigido ao Grupo Galandum Galundaina e, como normalmente colaboramos muito de perto, fazia sentido esta associação mais uma vez. O Galandum Galundaina é um grupo de música tradicional da terra de Miranda e serão eles os músicos que acompanham os Pauliteiros de Miranda no domingo. Além do mais, crescemos juntos, todos na mesma zona.

P – O que vão trazer a Macau? 

P. M. – Vamos apresentar a nossa cultura da qual nos orgulhamos muito. Música, dança, trajes, língua. Como referi antes, os pauliteiros são acompanhados musicalmente por gaita-de-foles. Os instrumentos que usamos têm características organológicas únicas. Existem marcas da dança de Pauliteiros na falange Macedónica no primeiro século da nossa era, assim como no século III nos celtiberos das margens do Douro, os antepassados dos mirandeses. Esses preparavam o combate com danças guerreiras, onde paus de 40 centímetros substituíam as espadas. Testemunha desse passado militar é o traje dos Pauliteiros, que toma como modelo os trajes militares greco-romanos, embora estilizados. O chapéu decorado representa o capacete militar. O colete em surrobeco trabalhado e a camisa de linho imitam a armadura. A saia em linho trabalhada, os lenços, as meias altas em lã pura e as botas em pele fazem referência a essa época. A região de Miranda do Douro tem uma língua própria que é uma das línguas oficiais de Portugal. Sempre que possível, comunicamos nesse idioma.

P – Que expetativas têm em relação às reações do público? 

P. M. – A nossa expetativa é grande. Sabemos que estaremos num evento de grandes dimensões com uma produção muito exigente. A nossa apresentação em Macau, com toda a certeza, vai ficar na memória de quem nos vir. A nossa dança é espetacular! Tem exigência técnica que, com toda a certeza, impressionará o publico. As próprias cores do traje são muito chamativas.

P – Macau cada vez mais funciona como uma plataforma cultural entre a China e os países de língua portuguesa. Como veem esse papel de Macau? 

P. M. – Temos perfeita consciência de que Macau é uma importante porta de entrada para a China. Com esta viagem queremos fazer contactos para futuramente regressarmos com o Galandum e com os Pauliteiros de Miranda e, no pouco tempo que teremos desta vez, tentar aprender o máximo que conseguirmos dessa cultura.

P – Esta é a primeira vez que se apresentam tão longe de casa. Que significado tem para vocês trazer a cultura de uma pequena região portuguesa à Ásia?

P. M. – Com o Galandum estivemos há alguns anos na Malásia, mas estar em Macau será uma emoção bem diferente por ser um território com uma forte ligação a Portugal. 

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