América vê-se incapaz de resolver os conflitos entre Coreia do Sul e Japão - Plataforma Media

América vê-se incapaz de resolver os conflitos entre Coreia do Sul e Japão

O presidente norte-americano, Donald Trump, deu início no dia 13 à sua primeira visita de Estado à Ásia desde que tomou posse. Além de assuntos como o problema nuclear da Coreia do Norte, o comércio e a aliança Indo-Pacífica que o próprio quer promover, com estas visitas Trump também espera reforçar laços com o Japão e a Coreia do Sul. No entanto, a sua vontade de criar uma relação forte com os dois países levou a um certo conflito entre o Japão e a Coreia. Em primeiro lugar, a Coreia do Sul tem algumas objeções à agenda que o país organizou. Para eles, o facto de a visita de Trump ao Japão ser mais longa do que a visita à Coreia do Sul é uma forma de menosprezar o país. Por isso, depois de protesto por parte do ministro dos Negócios Estrangeiros sul-coreano, os EUA cancelaram na sua agenda a visita de Donald Trump ao navio de guerra japonês Izumo, um navio porta-helicópteros.

Na verdade, no que diz respeito às relações entre estes dois países asiáticos, a Coreia do Sul foi ao longo da história vítima do Japão, tendo sido invadida, colonizada, e as suas mulheres obrigadas a serem “mulheres de conforto”. Por isso, o país ainda guarda algum rancor para com o país nipónico. Aos níveis económico e comercial, a Coreia entra muitas vezes em rivalidade com o Japão, e a nível diplomático quer ser tratada da mesma forma que o vizinho nipónico. Quando, por exemplo, Tóquio foi aceite para receber o Campeonato Mundial de Futebol, a Coreia exigiu também o mesmo tratamento. Como resultado, o primeiro Mundial de Futebol a acontecer no continente asiático dividiu-se entre o Japão e a Coreia do Sul. Por outro lado, no que diz respeito ao problema com a Coreia do Norte, mesmo sob liderança americana, a Coreia do Sul prefere evitar a cooperação com forças militares japonesas. A Coreia do Sul já fez vários exercícios militares com os Estados Unidos, no entanto, nunca o fez sozinha com o Japão. Em relação à partilha de informação, no passado, a Coreia apenas o fez com os Estados Unidos, os quais passaram depois a informação ao Japão. A principal razão pela qual a Coreia mantém esta atitude para com o Japão é o facto de este, ao contrário da Alemanha, ainda não ter reconhecido muitos dos crimes que cometeu durante o seu período militar. E a Coreia, como país lesado, ainda guarda rancor.

Antes da visita de Trump, era a Coreia do Sul que não estava satisfeita com o itinerário preparado, mas mais tarde foi o Japão que demonstrou objeções. Isto devido ao facto de Trump ter participado num banquete onde também estava presente Lee Yong-soo, conhecida “mulher de conforto”, e onde foi também servido “camarão de Dokdo”, território disputado entre os dois países. Para o Japão, a atitude coreana não foi correta. O Ministro de Estado japonês, Yoshihide Suga, chegou até a dizer: “Numa altura em que a Coreia do Sul, os Estados Unidos e o Japão necessitam de se juntar para resolver a questão da Coreia do Norte, devem ser evitadas ações que ponham em risco a cooperação dos três países.”. Mas aquando da visita de Taro Kono, Ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, a Da Nang, Vietname, para a reunião de líderes da APEC – Cooperação Económica Ásia-Pacífico, a Ministra dos Negócios Estrangeiros sul-coreana, Kang Kyung-wha, mostrou descontentamento, dizendo: “A decisão quanto ao que consta na ementa e quanto aos convidados de um banquete nacional apenas diz respeito à Coreia do Sul, não sendo, por isso, algo em que o Japão deva intervir”.

Os Estados Unidos têm claramente consciência da relação entre a Coreia do Sul e o Japão mas, uma vez que o conflito tem origens históricas, trata-se de algo que não pode ser resolvido num curto espaço de tempo. Por isso, o melhor a fazer é tentar ao máximo equilibrar esta relação. 

DAVID Chan 

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