Embora as Olimpíadas do Rio tenham terminado, a febre olímpica em Macau continua mais forte do que nunca. Ainda se veem debatidos os assuntos que envolvem esta edição dos Jogos Olímpicos, e durante o período de visita da elite olímpica chinesa a Macau esta febre é mais uma vez levada ao auge.
Na mais recente edição das olimpíadas, os atletas chineses obtiveram ao todo 26 medalhas de ouro, 18 de prata e 26 de bronze. Houve menos 12 medalhas de ouro do que nas anteriores olimpíadas em Londres, e o número total de medalhas da equipa chinesa foi o menor das últimas 5 edições. Contudo, quer durante as olimpíadas quer após o regresso ao país, os atletas chineses não receberam qualquer reprovação por parte dos seus compatriotas, do governo ou da opinião pública. Depois de regressarem à China, foram recebidos universalmente com o mesmo acolhimento e carinho que antes. Xi Jinping, secretário-geral do Comité Central do Partido Comunista da China, assim como os restantes seis membros do Comité Permanente do Politburo do Partido Comunista da China, encontraram-se pessoalmente com os atletas. Xi Jinping louvou o seu desempenho no Rio de Janeiro, afirmando que esta edição foi “uma colheita abundante em termos de resultados olímpicos e culturais”.
Na verdade, o facto de o número de medalhas de ouro obtidas este ano pela equipa chinesa ter ficado aquém das expectativas reflete uma tendência no país em termos desportivos, e revela que este se encontra a atravessar uma certa transformação. Não existe mais a máquina nacional de “fabricar campeões olímpicos”, e está a desvanecer a febre do ouro que dita que “não vencer o ouro é perder”.
He Wenyi, um académico da área da educação física da Universidade de Pequim, referiu: “Com a transformação da China de um país retrógrado para a segunda maior economia mundial, os chineses já não necessitam de usar o poderio atlético como forma de fortalecer a sua autoconfiança nacional”. He acrescentou que uma medalha de ouro já não tem para os chineses o mesmo brilho que antes.
Zhang Gaochao, comentador desportivo britânico, afirmou que desde que a China conseguiu no ano 2000 alcançar pela primeira vez o terceiro lugar nas medalhas de ouro, seguindo-se depois em 2008 a sua organização bem-sucedida dos Jogos Olímpicos e liderança histórica no ouro, os chineses começaram a habituar-se a ver os seus atletas atacar todas as modalidades convencionais, e também a revelarem-se nas modalidades menos fortes. Desta forma, cada vez mais chineses começaram a apreciar de forma serena as competições, e o seu espírito e charme olímpico tornou-se mais forte.
Nos primeiros dias das olimpíadas, após a equipa chinesa ter vencido apenas algumas medalhas, os meios de comunicação e internautas chineses já tinham uma visão clemente do desempenho dos atletas. Muitos comentadores referiram que, para a China, é cada vez mais importante apreciar as competições do que a obsessão pelas medalhas de ouro. Fu Yuanhui, vencedora do bronze, é atualmente na China continental a estrela mais brilhante destas olimpíadas, ultrapassando até os vencedores nacionais de medalhas de ouro, o que reflete a atual tendência. Também em Macau é aparente que Fu Yuanhui e as atletas de voleibol feminino gozam da mesma popularidade.
Nestas olimpíadas, Fu Yuanhui, assim como a treinadora e jogadora de voleibol feminino Lang Ping, deixaram em todos uma memória indelével. Há cinquenta anos atrás, nos Jogos das Novas Potências Emergentes (GANEFO), duas atletas deixaram também uma marca que perdura até hoje: a atleta chinesa de arco e flecha Li Shulan e a norte-coreana Sin Kim-dan no atletismo.
Macau é uma cidade afortunada. Após a transferência de soberania, toda a elite olímpica da equipa nacional passou por Macau. Na verdade, mesmo antes da transferência, muitos excelentes atletas chineses visitaram a cidade, como o halterofilista Chen Jingkai, os jogadores de ténis de mesa Rong Guotuan, Zhuang Zedong, Li Furong e Xu Yinsheng, os jogadores de badmínton Tang Xianhu e Hou Jiachang, entre outros. Também a campeã olímpica portuguesa da maratona já passou por Macau e aqui dialogou com alguns atletas macaenses.
O que sentirão os cidadãos e atletas macaenses ao se encontrarem com esta elite olímpica chinesa? Segundo o secretário-geral do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping, “Mesmo sem vencer medalhas, só a coragem para se superar e transcender a si mesmo é suficiente para merecer o respeito e a admiração”. O Chefe do Executivo de Macau, Fernando Chui Sai-on, também enviou uma mensagem aos macaenses de todos os setores sociais: “Sigam o espírito do desporto e sejam os compositores de uma vida brilhante”.
DAVID Chan