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Amor antigo

A visita de Chui Sai On a Portugal, em meados deste mês de setembro, tem um significado especial no contexto da pressão que a liderança de Xi Jinping tem exercido para a mudança de paradigma económico e político – em todo o país, naturalmente também Macau. Edmund Ho tinha um forte impulso relacional, gostava de viajar e de se dar, tendo sem surpresa visitado quase todos os países de língua portuguesa. Sinalizou dessa forma o papel de Macau na geoestratégia chinesa, embora não tenha nunca sido capaz de protagonizar um plano lusófono consistente e eficaz – antes pelo contrário. Chui Sain On, comedido e reservado, pouco ou nada fez por essa saga, mas hoje sabe bem que ela é incontornável e que terminou o estado de graça pós-colonial.
Nas vésperas desta viagem, o chefe do Executivo adotou um discurso renovado, tendo assumido a centralidade de Portugal na plataforma sino-lusófono. Mais de década e meia depois do regresso à Mãe Pátria, parecem em parte ultrapassados os tiques anticoloniais – compreensíveis – e a tentação de transformar em “latino”, “europeu” ou “ocidental” tudo o que, de facto, era português. Esse alívio psico-político permite agora olhar com olhos de ver para um país que, de facto, é o único de língua portuguesa que tem relações históricas, culturais e emocionais com Macau, sendo por isso o parceiro natural, não só na relação com os países lusófonos como também com a própria União Europeia. É hoje muito visível a aposta chinesa numa relação verdadeiramente estratégica com Portugal, a exemplo do que faz, por exemplo, com o Brasil, no contexto lusófono, ou a Alemanha e a Inglaterra, no quadro europeu.
Esse namoro desassombrado, tão óbvio como antigo, só pode ser bom para Macau. Face à escassez de massa crítica e à falta de experiência internacional das elites locais, renovar os laços com a antiga colónia é o passo mais inteligente para encurtar distâncias e ganhar novo fôlego para uma maratona lusófona que, ainda mal começou, e já deixou para trás uma geração inteira que percebeu tarde o tiro de partida.

Paulo Rego 

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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