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Jogada XIII

Coloane vai ter casino; o secretário para a Economia não o teria dito não fosse estar já decidido. Diga-se, em rigor, que a questão ambiental não pesa por aí além na decisão. Presume-se que o hotel beneficiado seja o XIII (já não Luís), encravado na selva de pedra entre o início da ilha e a vila. Mas essa é outra discussão. Já se ouve dizer que, se assim for, o Westin também quer casino… Protestarão os ambientalistas, mas o impacto das mesas de jogo é marginal na pegada ambiental. O que é vital é proibir a construção.

Questão diferente é a de tentar enquadrar este casino numa visão a prazo para a indústria. À partida, há um aparente contransenso entre as prioridades da diversificação e do mercado de massas com esta exceção em Coloane, feita à medida do luxo de sete estrelas. Por outro lado, a propalada crise, mesmo sendo relativa, acabou por abalar os frágeis fundamentos financeiros do mundo junket, forçado a rever regras, processos e posições relativas. Neste novo reordenamento, será interessante ver quem emerge com força para o XIII. Finalmente, a notícia surge ao cabo de longos meses de nada; sem que o Governo produza uma simples retórica, muito menos uma estratégica consistente sobre o futuro da indústria. O único sinal credível foi dado pelas autoridades chinesas, ao garantirem que a abertura na política de vistos continuará a proteger Macau da queda no mercado VIP, assumida como inevitável para a moralização do regime e a retenção de capitais.

Não se percebe a estratégia, se por inércia, falta de visão ou de poder real; certo é que Chui Sai On e Lionel Leong não dão quaisquer indicações sobre o enquadramento económico, político e social que moldará a renegociação dos contratos de jogo. Que se saiba, não há desenhos, debates ou teses sobre os efeitos desse novo ciclo nos desígnios da RAEM: diversificação económica, integração regional e projeto lusófono chinês. 

Esse é o verdadeiro problema da decisão que, tudo indica, beneficia o XIII. Porque é apenas mais uma, adoc, negociada para beneficiar mais um magnata. Nâo se vislumbra ali enquadramento, plano estratégico ou visão de futuro.

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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