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Reta final para internacionalizar o yuan

Os administradores do FMI não terão todos os dados na hora da votar, mas as medidas para internacionalização da moeda recebem avaliação positiva.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) poderá decidir em Novembro a inclusão da moeda chinesa como divisa oficial de reserva da organização, a par com o dólar norte-americano, o euro, o iene e a libra. Um documento técnico da instituição, que enforma a avaliação do cabaz de referência dos direitos de saque especiais com os quais o FMI concede crédito internacionalmente, reconhece progressos na internacionalização do yuan e nas medidas adoptadas pelo Governo Central para liberalização da moeda. Salienta também que há trabalho a fazer para uma decisão final. A China, com o terceiro lugar das exportações mundiais atrás dos Estados Unidos e da União Europeia, tem feito uma campanha para o reconhecimento do yuan como moeda oficial de reserva do FMI. Tal dotaria o yuan e os instrumentos financeiros do país de maior credibilidade, ao mesmo tempo que levaria a uma maior circulação e a um maior peso da moeda nas reservas dos países-membros do FMI.

A hipótese de inclusão da divisa no lote das principais moedas mundiais foi chumbada em 2010, com os administradores do Fundo Monetário Internacional a considerarem que o yuan ainda não cumpria o critério de ser “livremente utilizado” a nível global. Este critério – introduzido nesse mesmo ano – tem na sua origem o princípio de garantir que qualquer membro que precise liquidez para a sua balança de pagamentos possa, sem custos acrescidos, transacionar qualquer das moedas admitidas ao cabaz das reservas internacionais. “A utilização e a transação de renminbi [ou yuan] aumentou substancialmente desde a revisão de 2010, a partir de uma base baixa. Ao mesmo tempo, outras moedas não experienciaram alterações substanciais na sua proeminência relativa, sublinhando que a ascensão do renminbi é o mais significativo desenvolvimento na utilização internacional de moeda desde a última revisão”, salientam os técnicos no documento de apoio para a revisão do cabaz de reserva do FMI. A instituição reavalia a composição deste cabaz a cada cinco anos e o objectivo desta é o de refletir o peso que cada divisa tem nas trocas comerciais e financeiras internacionais.

Há cinco anos, a revisão ajustou pesos relativos das moedas constantes no cabaz – com uma maior proporção para o dólar dos Estados Unidos, seguido do euro – e adoptou novos critérios de reconhecimento destinados a traduzir a importância crescente dos mercados financeiros nas trocas internacionais. A moeda chinesa cumpria já largamente o primeiro critério de inclusão no cabaz – o de relevância nas trocas de bens e serviços a nível mundial. Não lhe foi porém reconhecido peso nos mercados financeiros globais.

“A utilização e transação internacionais crescentes do renminbi são parte de uma tendência durável. Reformas adicionais para liberalizar os mercados domésticos também terão impacto ”

Relatório técnico do FMI

No entanto, e desde 2009 – ano em que Pequim estabeleceu o seu primeiro centro offshore com vista à internacionalização da moeda em Hong Kong –, o país tem vindo a amplificar de forma acelerada o uso do yuan por via de diferentes instrumentos financeiros, ainda que o uso da moeda não esteja liberalizado.

O documento do FMI destaca, por exemplo, a dimensão da rede de regularização de crédito em yuan (Pequim tem já acordos com 30 bancos centrais) e da rede de bancos para liquidação de pagamentos na mesma moeda (17 instituições fora do Continente, e também incluindo Macau e Hong Kong) para considerar que o acesso ao mercado de moeda foi facilitado, e manifesta expectativa face à velocidade a que o Banco Popular da China tem vindo a empreender reformas. A última das quais, anunciada a 14 de Julho último, abre o mercado interbancário de obrigações aos investidores institucionais estrangeiros.

“Dado que o grosso das reformas políticas para apoio à internacionalização do yuan ocorreram após 2010 e que as autoridades pretendem implementar medidas adicionais, é provável que o seu total impacto ainda não se tenha materializado. Estas tendências sugerem que a utilização e transacção internacionais crescentes do renminbi são parte de uma tendência durável. Reformas adicionais para liberalizar os mercados domésticos também terão impacto”, refere o documento técnico relativo à revisão dos métodos de valoração dos direitos de saque especiais.

14 de agosto 2015

 

 

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