António Trindade* - A SUSTENTABILIDADE DO FORNECIMENTO DE ÁGUA E O DESENVOLVIMENTO DA RAEM - Plataforma Media

António Trindade* – A SUSTENTABILIDADE DO FORNECIMENTO DE ÁGUA E O DESENVOLVIMENTO DA RAEM

 

Baseado na sua longa experiencia de 30 anos na RAEM e profundo conhecimento das questões do fornecimento e consumo de recursos naturais e energéticos em Macau, António Trindade advoga as vantagens da cooperação no Delta do Rio das Pérolas (PRD), da Diversificação Económica, da Plataforma de Macau na sua expressão de mais alto valor acrescentado para Macau, para as suas gentes e para a sua economia!

 

A denominada ‘salinidade da água’ ganhou estatuto de tópico obrigatório  no espaço público,  nos meios de comunicação social e no seio das entidades relevantes da zona do Delta do Rio das Pérolas. Influenciado por factores como o aumento dos consumos de água e a elevação das temperaturas, o fenómeno da salinidade da água agudizou-se nos últimos anos.

Em Macau, este problema interfere no quotidiano dos residentes, nas indústrias, bem como afecta a imagem de Macau enquanto cidade turística internacional. Deve ter-se presente que o volume total de água no Planeta distribui-se por 97% de água ‘salgada’ e 3% de água ‘doce’, sendo que apenas 1% desta se considera acessível ao consumo. A China encontra-se, de acordo com a listagem da ONU, entre os 13 países com maior défice de recursos hídricos. E Macau importa toda a água que consome das regiões adjacentes da China.

Os grandes projectos de produção e distribuição de água envolvem investimentos em larga escala e elevados custos operacionais relacionados com o transporte de  água a longa distância, bem como outros factores como os impactes ambientais. Por todas estas e outras razões, o período de implementação dos projectos de larga escala é muito longo: dez anos ou mais até que seja possível estabilizar os resultados previsíveis. Não estranhará que se recorra a um conhecido ditado chinês quando se aborda o transporte de água a distâncias longas: Far Water Cannot Resolve Near Thirsty. Ora, é um facto que muitas cidades, incluindo Macau, do PRD têm sido afectadas pela salinidade, mas é também um facto que a cooperação entre Macau, Zhuhai e outros Governos municipais da zona do Delta do Rio das Pérolas, levada a cabo nos últimos anos, abre boas perspectivas, mas esta deve encarar-se com o início de uma grande jornada.

Contudo, e se nos dispusermos a uma perspectiva mais abrangente, teremos de concluir que ao mesmo tempo que os projetos de reciclagem e reutilização de águas residuais, ou programas de poupança de água, estabelecem a agenda da cooperação neste domínio, Macau, Zhuhai e a região do Delta do Rio das Pérolas deveriam alargar a cooperação, e investir decididamente, na procura de soluções complementares para garantir parcialmente as necessidades próprias de abastecimento de um recurso escasso como a água. Existem soluções alternativas.

Embora as águas fluviais e águas marítimas em torno de Zhuhai não atinjam o nível necessário (salinidade, poluentes) para integrarem a categoria de água bruta, temos de ter em conta que a qualidade varia de zona para zona. Por exemplo, uma solução tecnológica como a designada “Osmose Inversa” constitui um processo tecnicamente viável e financeiramente suportável, tanto que já é opção que assegura o fornecimento em muitas comunidades do PRD e é considerado como uma das respostas para solução dos problemas de escassez global de recursos hídricos.

Com os custos do processamento da água próximo dos locais de consumo recuando paulatinamente à medida do progresso tecnológico e científico, estas alternativas configuram, para além das vantagens financeiras, métodos mais seguros de tratamento de águas para o consumo, mais sustentável, agrega custos sociais e ambientais menos significativos e pode ser politicamente estruturado na promoção do desenvolvimento local de competências para uma “Green Economy”.

 

*Presidente da CESL Ásia 

 

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