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Jornal de Angola (editorial) – O EXEMPLO DO HERÓI

 

A História de Angola regista acontecimentos que marcaram o percurso de um povo pelos caminhos da liberdade, em que se destacaram líderes que ousaram superar o medo para enfrentar as forças da opressão que submetiam milhões de angolanos à escravidão.

Na trajectória da luta heróica que conduziu o povo angolano à Independência Nacional, pagaram com a vida milhares de patriotas que, decididos, e em circunstâncias diversas, combateram o colonialismo, até  à vitória final, que ocorreu a 11 de Novembro de 1975, data da independência nacional. A luta de resistência ao colonialismo é plena de feitos em que avultam gestos de primeira grandeza protagonizados por nacionalistas de diferentes regiões de Angola e que não hesitaram em aderir ao combate a um regime desumano e explorador.

Os combatentes pela independência de Angola, vivos e falecidos, mostraram, na guerrilha ou na clandestinidade, que sempre valia a pena o sacrifício para se conseguir a liberdade e a dignidade. Para esses combatentes era impossível renunciar à luta pela defesa da dignidade dos homens e mulheres angolanos. O movimento de libertação de Angola, que a partir dos anos 60 do século passado enveredou  por uma contínua luta armada contra o colonialismo, constituiu a demonstração de que os povos oprimidos não temem a adversidade quando se querem libertar das grilhetas da opressão.

Os combatentes pela liberdade e independência de Angola estavam animados pela fé na vitória sobre um inimigo que não cairia sem luta. Corajosos e determinados, os nacionalistas angolanos souberam contornar obstáculos vários ao longo da dura luta de resistência ao colonialismo, para o que contribuiu a capacidade de liderança do pai fundador da Nação angolana, António Agostinho Neto, cuja entrega à causa de libertação de Angola marcou uma viragem decisiva na construção da vitória sobre o inimigo – o colonialismo português.

Agostinho Neto é uma referência incontornável da luta de libertação de Angola, e foi sem dúvida graças às suas qualidades excepcionais de líder que se conseguiu ultrapassar barreiras  que pareciam intransponíveis, ao longo da luta armada e depois da independência de Angola.

A vida e obra de Agostinho Neto são hoje recordadas não só por angolanos, mas também por outros povos do mundo, que reconhecem a sua extraordinária visão, quando se tratava, particularmente, de definir rumos que conduzissem à libertação total de África.

Neto colocou a sua pedra nos alicerces que têm permitido construir uma sociedade melhor para todos os povos. Agostinho Neto percebeu que a dignidade da pessoa humana era um valor supremo, por que todos deviam lutar, custasse o que custasse.

O fundador da Nação partira para uma frente que haveria de retirar os angolanos da situação dramática de extrema miséria. Ele compreendeu que tinha de agir e de dar a sua contribuição à queda de um regime injusto, para que imperasse uma nova ordem social, por via da liquidação do que era retrógrado. Compreendeu ainda, e já depois de conquistada a independência de Angola, que tinha de protagonizar gestos que abrissem caminhos para a luta   de libertação de outros povos do continente africano.

O primeiro Presidente de Angola dizia que “na Namíbia, no Zimbabwe e na África do Sul está a continuação da nossa luta”. Era a voz do combatente incansável que estava consciente de que a missão  para libertar o homem africano da opressão tinha de continuar, mesmo que  para isso  tivéssemos de consentir mais sacrifícios. O estadista e o líder  não viveu para assistir à liberdade dos povos namibiano, zimbabweano e sul-africano, mas os esforços que empreendeu e os sacrifícios do povo angolano para que se concretizasse essa libertação serão  para sempre lembrados em toda a África. Agostinho Neto era um homem de acção, que enfrentava as dificuldades com muita serenidade e determinação, quer como guerrilheiro, quer como estadista. Para ele a defesa dos interesses do povo tinham de estar sempre acima de quaisquer outros.

Pouco tempo antes de falecer, Agostinho Neto pronunciou uma palavra de ordem que correu o mundo e que continua gravada na memória de muitos angolanos, de convicções políticas ou ideológicas diversas. Afirmou Agostinho Neto que “o mais importante é resolver os problemas do povo”, uma frase de grande alcance, porque apela para a busca incessante de soluções para satisfazer as necessidades das comunidades. Os poderes públicos devem encontrar inspiração nessas poucas mas significativas palavras  de um homem que dedicou toda a sua vida ao bem-estar dos angolanos. Hoje, 17 de Setembro, é Dia do Herói Nacional. Que o exemplo do Herói seja seguido por todos quantos hoje têm responsabilidades ao nível da gestão da coisa pública.

 

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