Luís Andrade de Sá - UM POUCO MAIS DE AZUL - Plataforma Media

Luís Andrade de Sá – UM POUCO MAIS DE AZUL

 

 

As independências africanas ocorreram, na maioria dos casos, no início dos anos 1960, mas só em 1973 foram estabelecidas ligações aéreas entre África e a China, país que tinha estimulado muitos partidos nacionalistas na formação das novas nações. Quem efetuou o primeiro voo, em 01 de novembro de 1973, entre Adis Abeba e Pequim, foi a Ethiopian Airlines, a companhia de bandeira de um país miserável, feudal, mas nunca colonizado – a Etiópia.

Mesmo na adversidade, e que os rastafaris me perdoem, mas Hailé Selassié foi do pior que aconteceu ao país e ao continente, uma pequena companhia de bandeira de um país atrasado conseguiu impor-se e ser uma referência na aeronáutica africana, até aos dias de hoje. Já neste século, a Ethiopian Airlines foi a primeira a encomendar o novo Boeing “Dreamliner”, como, antes, fora a primeira a realizar voos entre as costas oeste e leste de África.

Uma grande ideia – construir uma companhia competitiva – juntou-se a uma circunstância – a de Adis Abeba ser a sede da União Africana – e o resultado foi um poderoso ‘hub’ no continente.

Hoje, quem viaja de Dakar para Singapura, de Maputo para Cantão, de Lagos para Roma ou de Kigali para São Paulo tem como melhor opção a Ethiopian Airlines e uma escala em Adis Abeba. Outras companhias, como as sul-africanas e egípcias, de economias que lideram no continente, não chegam lá. Uma ideia arrojada por vezes dá grandes frutos; e a Air Macau devia pensar no exemplo de quem arriscou dar um passo maior do que a perna. É verdade que África conta com menos de 2% do tráfico aéreo global e com cerca de 1% do volume de carga transportado no mundo, mas é um mercado que está a crescer. Atualmente há apenas uma megacidade em África, um conceito da Airbus que significa aeroportos com mais de 10 mil passageiros de longo curso por dia; mas em 20 anos haverá seis, e o tráfico aéreo africano vai crescer 6.5% por ano até 2002.

São estimativas que deveriam levar a Air Macau a pensar no que fazer com a sua excelente rede regional, sobretudo na China, e ponderar o longo curso para África para aproveitar o balanço dos investimentos chineses naquele continente. Não fazer nada é ver crescer dentro de portas uma companhia que já foi pequena mas que hoje domina um setor importante do mercado, com voos diários para Hong Kong, Cantão, Xangai e Pequim. Que não lhe falte o “golpe d’asa”.

 

 

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