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Paulo Rego – COMPETIR OU COMPLEMENTAR?

Como volta a ser claro na entrevista ao embaixador brasileiro em Pequim, que publicamos nesta edição, o Brasil teve sempre uma posição dúbia em relação ao papel de Macau na promoção do comércio entre a China e os Países de Língua Portuguesa. A diplomacia brasileira nunca foi ostentivamente contra o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial, evitando ferir suscetibilidades em Pequim, mas também nunca teve uma atitude proativa e comprometida com essa plataforma.

Se, por um lado, o Brasil encontrou motivos reais para criticar as dificuldades do Fórum Macau em afirmar uma estratégia de ação e apresentar resultados concretos; por outro, o gigante lusófono – mas não só – sempre temeu que um fórum multilateral prejudicasse as relações bilaterais há muito estabelecidas entre os dois países. Há dificuldades próprias de organização e de eficácia em Macau, mas há também uma resistência, surda e velada, por parte de países que não sabem como lidar com um instrumento que deve ser visto como complementar às relações bilaterais – e não como um fantasma que as ameaça.

Portugal padece do mesmo mal. Nunca foi capaz de nomear para o Fórum Macau um representante próprio, preferindo tratar esse assento como função secundária do delegado da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP). Ao cabo de mais de uma década, lá entendeu nomear alguém especificamente para o cargo, mas escolheu um nome polémico, acabando por recuar após o rol de críticas que se levantou perante a eventual escolha de Vitório Cardoso. Agora é o cônsul-geral de Macau, Vítor Sereno, a acumular funções no Fórum. Se é verdade que a patente subiu – bem como o perfil de Sereno – Lisboa desperdiçou mais uma vez a oportunidade de autonomizar a representação no Fórum, dando-lhe outro valor político. Nunca ninguém o disse abertamente, mas apanhado de surpresa pelo projeto lusófono chinês, Portugal teve também sentimentos contraditórios: por um lado, abria-se em Macau uma janela para a antiga potência administrante; por outro, Pequim avançava por terrenos que a diplomacia em Lisboa via como seus.

Por inexperiência, por dificuldades na gestão de relações externas, ou por circunstâncias da catarse da transferência de poderes, líderes políticos, económicos e fáticos em Macau levaram o seu tempo a encaixar o significado e a oportunidade da missão de ser plataforma. Pelas suas próprias circuntâncias internas, ou por motivos de estratégia nas relações internacionais, também os países lusófonos titubiaram na atitude a ter no seio do Fórum Macau.

Nem tudo será justificável e compreensível, mas entende-se o que aconteceu. A questão central agora é encontrar soluções e compromissos que sirvam a todos, aumentando a cultura de exigência em todos os lados da equação. O Fórum Macau não substitui as relações bilaterais, mas pode e deve complementá-las, sobretudo ao nível dos serviços a prestar às pequenas e médias empresas. Se for visto como instrumento útil e complementar, nada se perde com isso. Mas se for descurado e minorizado, perde-se tudo o que ele pode e deve representar.

 

 

E tudo o fumo levou

 

A paz, as esperanças de estabilidade e  até mesmo a possibilidade de reconciliação no mosaico que é o Paquistão ficaram reduzidas ao fumo que sobrou de um ataque talibã ao aeroporto internacional de Karachi, e que resultou na morte de 37 pessoas, incluindo todos os 10 atacantes.

O atentado foi uma represália à morte, em, novembro de 2013, por drones norte-americanos, do líder dos talibã paquistaneses, Hakimullah Mehsud.

Dez homens entraram no domingo na zona de voos VIP e de carga do aeroporto de Karachi e dispararam indiscriminadamente contra quem ali se encontrava.

Durante horas, até ao amanhecer, os terroristas enfrentaram as forças de segurança, num tiroteio que provocou diversos incêndios no complexo e  que só terminou com a morte dos 10 atacantes.

As restantes 27 vítimas eram, na maioria, trabalhadores do aeroporto.

 

Na terça-feira, o mesmo grupo lançou novo ataque contra um edifício nas imediações daquele aeroporto, o principal do Paquistão, mas foi repelido pelas forças de segurança ali presentes.

PAKISTAN AIRPORT ATTACK

 

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