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Rui Flores – GLOBALIZAÇÃO OU INTERDEPENDÊNCIA?

“A Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a globalização” é o mote da próxima cimeira da organização a ter lugar a 23 de julho, em Díli. O tema parece apropriado. Sobretudo se, a par da promoção da língua partilhada, os chefes de Estado e de governo da comunidade quiserem contribuir para o reforço da componente económica da organização. Em tempos de crise financeira, económica e social, a resposta de alguns Estados – nomeadamente de Portugal – tem passado pelo aumento das exportações. Essa aposta tem contribuído para melhorar (ou disfarçar) o estado real da economia. Aqueles que conseguiram crescer no meio da tormenta económica mundial são verdadeiramente resilientes. Alguns empresários compreenderam-no muito bem: que a crise interna era uma oportunidade para avançarem para a internacionalização.

Neste contexto, a ideia de que a CPLP deve discutir políticas e estabelecer estratégias que fomentem as parcerias comerciais no espaço da organização, mas também como a organização se deve posicionar no mundo, nos planos económico e financeiro, será bem-vinda. Não apenas pelos empresários – motor de uma qualquer economia aberta – mas sobretudo pelos próprios cidadãos, que verão as suas perspetivas de êxito profissional alargarem-se. Não se trata de discutir um mercado comum – o debate sobre integração económica está ainda por fazer – mas políticas que propiciem a facilitação da existência de um espaço económico de características lusófonas.

Mas mais do que discutir a globalização, tema batido do Século XX, com os seus tentáculos cultural, político e económico, a CPLP deveria focar a sua atenção mais nas consequências da interdependência complexa. Que efeitos têm, por exemplo, hoje, ao nível económico, uma diminuição do poder de compra dos americanos? Ou o que acontecerá, na arena mundial, se o crescimento económico da China estagnar, como muitos observadores adivinham? Uma resposta organizacional a estas questões, mais do que bem-vinda, é uma necessidade. Uma decisão estratégica.

Sobretudo porque a CPLP, ao nível do principal fator de união, a língua, ao associar-se ao acordo ortográfico de 1990, parece ter deixado para trás uma das principais normas da globalização: a aposta no que é local, na afirmação das diferenças, no Made in… A solução do acordo ortográfico só pode interessar a editores e livreiros apostados em expandir o seu negócio.

Palavras com grafias diferentes e significados distintos só tornam a língua mais rica, mais variada, mais interessante. Diferentes grafias nunca travaram a comunicação e os negócios. Que o digam americanos, britânicos e australianos… Todos falantes de inglês. Todos diferentes. É também por isso que se espera que, na questão da globalização, a CPLP consiga ir ao fundo do assunto e discutir estratégias para resistir como bloco às consequências de uma cada vez maior interdependência. O anúncio esta semana de uma união de bancos da CPLP é um passo no caminho certo.

SAO TOME PORTUGESE SUMMIT

 

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