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China ultrapassa Estados Unidos na opinião global pela primeira vez. Saiba onde mudou o equilíbrio

Um estudo do Pew Research Center mostra que a China passou a ser vista de forma mais favorável do que os Estados Unidos em mais países pela primeira vez. A mudança é mais evidente entre aliados norte-americanos, onde a imagem de Washington perdeu força nos últimos anos

Lusa

Um novo estudo do Pew Research Center indica que, pela primeira vez, mais pessoas têm uma visão menos favorável dos Estados Unidos do que da China em 25 dos 36 países e territórios incluídos.

A opinião sobre o líder chinês, Xi Jinping, é mais positiva do que a do Presidente norte-americano, Donald Trump, em 22 dos 36 territórios inquiridos, entre os quais Canadá, França, Alemanha e Reino Unido, apesar de a confiança da maioria das respetivas populações em ambos os Chefes de Estado ser reduzida.

Nos cerca de 20 anos em que o Pew monitoriza a opinião global, é a primeira vez que a China é vista de forma mais positiva do que os Estados Unidos, afirmou Laura Silver, uma das investigadoras envolvidas no estudo realizado entre fevereiro e maio pela instituição sediada em Washington. As perspetivas acerca de Pequim e Washington já foram muito semelhantes em alguns momentos do passado, mas nunca tinham sido substancialmente mais favoráveis à China, acrescentou.

A diretora da unidade de investigação em Atitudes Globais do Pew referiu ainda que a imagem global norte-americana se tem deteriorado na sequência da guerra movida, em conjunto com Israel, contra o Irão, em 28 de fevereiro. “Houve uma relação factual entre a eclosão da guerra e a sensação de que os Estados Unidos não estão a contribuir para a paz e a estabilidade, além de uma menor confiança das pessoas em Donald Trump”, argumentou.

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As exigências de Trump quanto ao eventual controlo da Gronelândia, a operação militar que capturou o anterior líder da Venezuela, Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, e a forma como o chefe de estado norte-americano tem lidado com a guerra entre Israel e o Hamas em Gaza também contribuíram para a visão pouco positiva dos norte-americanos em vários países, detalhou.

A China, pelo contrário, está a beneficiar do facto de a memória da pandemia de COVID-19 se estar a dissipar e é vista como “uma parceira muito mais confiável em muitos lugares”, no sentido de contribuir para “a paz e a estabilidade globais”, esclareceu.

O Canadá é um dos países em que a opinião pública face aos Estados Unidos mais se alterou, já que a percentagem de habitantes com visão positiva do país vizinho desceu de 57%, em 2023, para 33%, em 2026, após Trump ter imposto tarifas a produtos canadianos em 2025 e afirmar que o território se poderia tornar o “51.º estado norte-americano”. Já a opinião favorável relativamente à China subiu de 14% para 44% em solo canadiano, no mesmo período.

A França, a Alemanha, a Espanha, a Itália, a Suécia e os Países Baixos também mudaram de opinião em relação às duas maiores economias do mundo, enquanto os habitantes do Reino Unido têm hoje uma visão semelhante sobre os dois países, num contraste com 2023, altura em que 60% dos britânicos tinham uma opinião favorável dos Estados Unidos e 28% atribuía um olhar positivo à China.

Entre os seis países onde a população tem uma visão mais favorável dos Estados Unidos, Israel destaca-se, com 80% dos inquiridos a verem os norte-americanos de forma positiva, em comparação com os 19% com opinião semelhante da China. Também o Japão, a Índia, a Coreia do Sul, as Filipinas e a Polónia têm uma visão mais favorável dos Estados Unidos do que da China, embora essa percentagem tenha diminuído.

Os inquiridos consideram que o Governo norte-americano respeita mais as liberdades individuais do que o chinês, embora a diferença entre os dois países esteja a diminuir, esclarece o relatório. Para elaborar o estudo, o Pew entrevistou mais de 42 mil pessoas em 35 países, além da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, com as margens de erro a variarem entre os 2,3 e os 5,5 pontos percentuais, dependendo do país.

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