O anúncio foi feito pela diretora nacional de Saúde, Ângela Gomes, em declarações na capital, Praia, depois da partida do navio, que esteve fundeado ao largo do porto desde domingo em regime de quarentena. A responsável sublinhou que “a situação foi gerida de forma preventiva e responsável”, não tendo existido qualquer risco para a população.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, foram identificados sete casos associados ao surto a bordo, cinco suspeitos e dois confirmados laboratorialmente. Três dessas pessoas acabaram por morrer, apresentando dificuldades respiratórias, antes da chegada do navio a Cabo Verde.
Entre os doentes, permaneciam ainda a bordo dois tripulantes com sintomas ligeiros e um passageiro que partilhou cabine com uma das vítimas mortais. Os três foram retirados esta quarta-feira e transportados em aviões-ambulância para os Países Baixos, onde irão receber acompanhamento médico.
De acordo com as autoridades cabo-verdianas, seguem agora no Hondius 144 passageiros assintomáticos, acompanhados por uma equipa reforçada de quatro profissionais de saúde — médicos e epidemiologistas — responsáveis pela vigilância clínica durante a viagem.
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Está previsto que o navio chegue às Ilhas Canárias dentro de três dias. O Governo de Espanha indicou que, à chegada, os passageiros deverão ser retirados e repatriados ao abrigo do mecanismo europeu de proteção civil.
As autoridades de saúde de Cabo Verde adiantaram ainda que os profissionais envolvidos na transferência dos três doentes para os aviões-ambulância irão cumprir um período de quarentena, por precaução.
“A atuação de Cabo Verde demonstrou um compromisso claro com a ação humanitária e com as boas práticas internacionais, num contexto de saúde global complexo”, concluiu Ângela Gomes, reafirmando a colaboração com a comunidade internacional no âmbito do Regulamento Sanitário Internacional.