“Tivemos discussões muito positivas nas últimas 24 horas e é muito possível que cheguemos a um acordo”, declarou Trump aos jornalistas, durante uma sessão no Salão Oval.
Horas antes, o chefe de Estado norte-americano já tinha sinalizado otimismo numa publicação na Truth Social, rede social de que é proprietário. “Se o Irão aceitar dar o que foi acordado, (…) a já lendária operação ‘Fúria Épica’ estará concluída”, escreveu.
Trump deixou, no entanto, um aviso claro a Teerão, sublinhando que, caso a proposta não seja aceite, os ataques militares poderão ser retomados. “Se não aceitarem, os bombardeamentos começarão e serão, infelizmente, a um nível e com uma intensidade muito maiores do que antes”, afirmou, numa referência à campanha militar conduzida pelos Estados Unidos e por Israel entre 28 de fevereiro e o cessar-fogo de 8 de abril.
Do lado iraniano, o principal negociador, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou Washington de tentar impor uma rendição ao país através de uma “nova estratégia” destinada a “destruir a coesão nacional”. Ainda assim, Teerão evitou fechar a porta às negociações. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghai, garantiu que “o Irão continua a analisar o plano e a proposta norte-americana”.
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Na terça-feira, Trump anunciou a suspensão de uma operação militar norte-americana lançada para garantir a passagem de navios pelo estreito de Ormuz, alegando “grandes progressos” rumo a um acordo definitivo. A decisão visou aliviar a pressão sobre centenas de embarcações retidas naquela rota estratégica para o comércio mundial de hidrocarbonetos, bloqueada por Teerão desde o início da guerra.
Apesar disso, Washington mantém o bloqueio aos portos iranianos em vigor desde 13 de abril. O Pentágono confirmou ainda que um petroleiro iraniano que tentou forçar esse bloqueio foi neutralizado, com a destruição do leme da embarcação.
Num possível sinal de evolução no plano diplomático e de segurança, França anunciou que o porta-aviões Charles-de-Gaulle se dirige para a região do Golfo, no âmbito de uma coligação franco-britânica destinada a garantir a segurança do estreito de Ormuz após um eventual acordo de paz.