Em entrevista à Lusa, Nuno Gomes, de 56 anos, relatou que a operação ocorreu a 27 de abril, quando a campanha marítima — composta por 58 embarcações e 181 ativistas — tentava romper o bloqueio naval imposto à Faixa de Gaza para estabelecer um corredor humanitário permanente.
Segundo o ativista, as forças israelitas abordaram os navios “de forma extremamente violenta”, com armas apontadas e lasers, sem autorização para entrada a bordo. “A partir desse momento tivemos a certeza absoluta de que estávamos a ser raptados”, afirmou, acrescentando que os militares confiscaram passaportes e ameaçaram disparar caso as ordens não fossem cumpridas.
Nuno Gomes diz ter sofrido privação de sono e agressões físicas durante as 48 horas seguintes, período em que esteve retido num navio militar. Afirma ter ficado com uma costela rachada, dores na coluna, hematomas e ferimentos visíveis no rosto. O ativista, antigo motorista de mercadorias internacionais e ex-paraquedista, regressou a Portugal a 2 de maio.
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Críticas ao apoio consular
Após o desembarque em Creta, onde a maioria dos ativistas foi deixada pelas autoridades israelitas, Nuno Gomes criticou duramente a atuação do consulado português, classificando-a como “absolutamente vergonhosa”. Segundo o seu relato, o cônsul limitou-se a informar que, por estar na posse do passaporte, era um cidadão livre e deveria tratar do regresso a Portugal pelos seus próprios meios.
Apesar da experiência, o ativista garante que repetiria a participação na flotilha. “O povo palestiniano não tem opções. É tratado como um povo de segunda classe. Eu voltaria a estar ao lado deles”, disse, defendendo que a situação em Gaza representa “uma injustiça histórica” e um exemplo de sofrimento prolongado.
A Flotilha Global Sumud para Gaza tem como objetivo denunciar o bloqueio ao território palestiniano e pressionar a comunidade internacional para a criação de corredores humanitários permanentes.