Em Águeda, o presidente da Câmara, Jorge Almeida, descreveu um fogo de progressão “atípica e com brutalidade”, sublinhando que a situação mudou rapidamente durante a madrugada. “Às 22:00 estava tudo tranquilo e às 04:30 já estava na cidade”, afirmou, explicando que o avanço das chamas criou um “corredor” impulsionado pelo vento que obrigou à ativação do Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil.
Apesar da intensidade do incêndio, o autarca garante que, até ao momento, os danos confirmados incidem sobretudo em estruturas secundárias. “As informações que tenho até agora são de anexos e casas devolutas e até algumas em ruínas. Mas temos de fazer o balanço”, referiu, acrescentando que o fogo passou “próximo de dezenas de aldeias”, exigindo avaliação detalhada no terreno.
O comandante do Comando Sub-regional da Região de Aveiro, António Ribeiro, descreveu uma situação ainda instável, com “muito fumo” e várias frentes de trabalho ao longo da linha de fogo que se estende desde Vouzela até Águeda. “Houve a defesa das povoações por onde o fogo passou, mas não chegou a haver evacuações”, afirmou, destacando que a prioridade tem sido proteger habitações e garantir acessos.
No concelho de Tondela, a situação agravou-se durante a noite. O comandante dos Bombeiros de Vale de Besteiros, Miguel Santos, confirmou à Lusa a evacuação de duas aldeias na freguesia de São João do Monte — Matadagas e Mansores — devido ao avanço descontrolado das chamas na encosta da serra do Caramulo.
Leia mais: Mega-incêndio avançou durante a madrugada e chegou à cidade de Águeda
“Estamos a defender as aldeias com os meios que lá estão alocados, mas os meios são poucos”, alertou o responsável, descrevendo uma frente de fogo com cerca de 15 quilómetros e apenas oito veículos de combate disponíveis. “Nesta encosta está tudo em perigo”, acrescentou, sublinhando que o vento tem sido determinante na propagação rápida do incêndio.
A presidente da Câmara de Tondela, Carla Antunes Borges, confirmou que já foram retiradas várias pessoas, incluindo idosos e uma criança da aldeia de Matadagas, bem como animais domésticos, numa operação de prevenção.
O incêndio, que já fez sete feridos, teve início às 03:04 de quinta-feira, em Tourelhe, freguesia de Cambra, Vouzela, e rapidamente evoluiu para vários concelhos. Segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), o combate mobilizava pelas 09:00 mais de 900 operacionais, apoiados por centenas de veículos e meios aéreos, numa operação ainda marcada por grande instabilidade.