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Cupões de consumo regressam com regras ajustadas

O “Grande prémio para o consumo nas zonas comunitárias 2026” regressa hoje com novas regras, numa tentativa de fazer chegar os benefícios a mais pequenas e médias empresas. Ao PLATAFORMA, economistas alertam, porém, que as rondas anteriores continuaram a favorecer operadores de maior dimensão e lembram que a dinamização do mercado não pode ficar só nas mãos do Governo

Carol Law

A nova edição do “Grande prémio para o consumo nas zonas comunitárias 2026” decorre até 18 de junho, numa operação conjunta do Governo da RAEM e da Associação Comercial de Macau, com benefícios de consumo no valor total de cerca de 400 milhões de patacas. Depois de duas rondas no ano passado, o regresso da medida mostra que o Executivo continua a ver no consumo interno um instrumento de apoio ao comércio local.

A edição deste ano traz ainda mudanças operacionais. O sorteio dos cupões passa a ser feito entre sexta-feira e domingo, enquanto a utilização fica reservada aos dias úteis, de segunda a quinta-feira. Segundo o Governo, a alteração pretende “dispersar os períodos de consumo, permitindo que os benefícios fluam para mais PME de diferentes tipos, elevando o efeito de alavancagem global”.

Os números da ronda realizada entre setembro e novembro de 2025 ajudam a explicar o desenho agora adoptado. Segundo dados oficiais, 61% dos inquiridos disseram ter transferido parte do consumo transfronteiriço de fim-de-semana para Macau, sobretudo em mercearias, refeições em restaurantes e compra de alimentos, frutas e legumes. A taxa de utilização do cupão de 200 patacas foi a mais elevada, perto de 95%. O fluxo do plano distribuiu-se entre retalho, restauração e outros serviços numa proporção de 6:3:1.

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Mas houve também um efeito colateral: o recurso ao consumo pré-pago. O economista Henry Lei nota que, nas rondas anteriores, o “prazo curto para gastar os cupões levou muitos residentes a canalizarem os descontos para compras antecipadas, favorecendo operadores de maior dimensão e limitando o impacto junto de outras PME”.

Daí o aviso reforçado do Governo contra esta prática e a leitura de que o novo modelo pode ajudar a corrigir distorções. Ainda assim, o economista alerta: “Regulamentar o consumo pré-pago através do ‘Grande prémio para o consumo’ tornar-se-á um novo problema para os serviços competentes, o que aumentará os custos administrativos do programa”. Henry Lei defende também um ajustamento técnico: “desdobrar parte dos cupões de maior valor em vales de 50 patacas”, facilitando a “utilização e reduzindo o incentivo ao pré-pago”.

Menos Governo, mais associações

Samuel Tong, presidente da direção da Associação de Estudo de Economia Política de Macau, lembra que a dinamização do mercado “não pode depender apenas do Executivo” e pede a “comerciantes e associações comunitárias” campanhas próprias de “promoção”, em articulação com o programa.

O académico mostra-se cautelosamente optimista quanto à economia local este ano, notando que Macau continua a “depender sobretudo da exportação de serviços turísticos”. Com receitas do Jogo “satisfatórias e com visitantes oriundos principalmente do Interior da China, Hong Kong e Taiwan”, admite margem para estabilidade, embora sublinhe que tudo dependerá da “evolução do ambiente económico global”. “Se houver alterações nas tendências do mercado, acredito que o Governo também lançará oportunamente algumas medidas”, diz ao PLATAFORMA.

Henry Lei, por seu lado, distingue o atual modelo do antigo “Cartão de Consumo” e sublinha que o “Grande prémio” assenta sobretudo num “efeito de alavancagem” para puxar pela procura local.

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Por isso, diz, tende a ser lançado em meses de época baixa, de forma mais direcionada para apoiar pequenas e médias empresas. A duração curta de cada ronda – cerca de dois meses – também não é casual: “Serve para evitar os picos de consumo e turismo e reduzir o risco de pressão sobre preços e inflação”, explica ao PLATAFORMA. Ao mesmo tempo, permite “maior participação dos consumidores” e dá margem ao Governo para “avaliar resultados”.

É nesse quadro que Henry Lei afasta a ideia de continuidade indefinida. Criado para acudir às PME em períodos de menor consumo e turismo, o programa tem natureza conjuntural. “Quando a recuperação económica beneficiar a maioria dos residentes, a confiança no consumo melhorar e o ambiente de negócios global registar melhorias, o ‘Grande prémio para o consumo’ cumprirá o seu papel.”

Do “Cartão de Consumo” ao “Grande prémio”

Desde 2020, quando a pandemia começou a afectar Macau, o Governo foi lançando várias medidas para estimular o consume interno, primeiro com o “Cartão de Consumo” e mais tarde com o “desconto imediato”. Já depois da pandemia, no quarto trimestre de 2024, surgiu pela primeira vez o “Grande prémio para o consumo em toda a cidade”, com cupões electrónicos sorteados para incentivar os residentes a gastar em Macau. No segundo trimestre de 2025, o plano foi reforçado com um desconto imediato adicional para os idosos. Segundo dados oficiais, a edição “Força unida nos Jogos Nacionais – Grande prémio para o consumo nas zonas comunitárias”, realizada no quarto trimestre de 2025, durou 13 semanas e distribuiu 462 milhões de patacas em cupões electrónicos. O valor efetivamente utilizado foi de 408 milhões, o que gerou consumo de cerca de 1,645 mil milhões de patacas. O retalho concentrou 60.6% desse montante, seguido pela restauração, com 27.4%, e pelos serviços e outros setores, com 12%.

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