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Economia de Macau não vai permanecer imune à instabilidade global

O Secretário para a Economia e Finanças de Macau, Tai Kin Ip, alertou para os riscos da instabilidade global e para os impactos que esta poderá ter na economia local

Lusa - Macau

“O cenário mundial de mudanças nunca vistas num século está a desenvolver-se de forma acelerada, com conflitos geopolíticos frequentes, que afetam a estabilidade da cadeia de abastecimento global, e uma recuperação económica mundial com falta de dinamismo”, afirmou Tai Kin Ip durante uma palestra organizada pela Associação Comercial de Macau.

Este mês o Chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, já havia alertado para as “perturbações na cadeia de abastecimento” e outros desafios que os recentes conflitos internacionais, como a guerra no Médio Oriente, geraram ao desenvolvimento económico da cidade.

Para Tai Kin Ip, sendo a Região Administrativa Especial de Macau uma economia “pequena e altamente aberta”, não vai permanecer imune a estes fatores externos.

Nos últimos anos, acrescentou, verificou-se uma descida na despesa média por visitante, com o padrão de consumo a mudar de “orientado pelas compras” para um maior foco na experiência de viagem, o que impõe novas exigências às empresas locais.

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Apesar dos desafios, Tai destacou que em 2025 Macau recebeu 40,069 milhões de visitantes, um aumento homólogo de 14.7%, e registou um crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de 4.7%. A taxa de desemprego manteve-se baixa, em 2.5%, e a inflação anual foi de apenas 0.33%.

No entanto, a agência de notação financeira Fitch previu que o crescimento do PIB irá desacelerar para 4% em 2026, porque as condições económicas “mais fracas” irão “pesar cada vez mais sobre os turistas chineses”, a principal fatia dos turistas que visitam a cidade.

Macau recebeu 10 milhões de visitantes desde o início do ano, dos quais 75% vieram do Interior da China. As autoridades locais preveem receber 41 milhões de visitantes este ano, mais um milhão do que em 2025.

A China estabeleceu nestes encontros uma meta de crescimento do PIB de 4.5% a 5% para 2026, a mais baixa desde 1991, sinalizando um foco na estabilidade e qualidade sobre velocidade, e prioritizando investimentos estratégicos, tecnologia e consumo interno.

As principais bolsas da China continental encerraram hoje com fortes quedas, até 3.76 %, em linha com as perdas registadas noutros mercados asiáticos, face ao agravamento do conflito no Médio Oriente e à subida do preço do petróleo.

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Os mercados reagiram ao recrudescimento da crise no Médio Oriente, depois do Irão reiterar a possibilidade de encerrar o estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o transporte energético mundial.

O estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, é também crucial para a China, já que aproximadamente 45% das suas importações de crude transitam por esta via.

O Secretário garantiu que, dentro deste cenário de desaceleração económica, o governo da RAEM continuará a apoiar as pequenas e médias empresas, consideradas “a pedra angular da economia de Macau”, através de programas de digitalização, certificação de marcas e estímulo ao consumo nos bairros comunitários.

Tai reforçou ainda que a diversificação económica será prioridade no âmbito do 15.º Plano Quinquenal Nacional e do 3.º Plano Quinquenal da RAEM, com aposta em áreas como turismo e lazer, medicina tradicional chinesa, finanças, tecnologia de ponta e convenções e exposições.

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