Início » Plano Quinquenal de Macau enfrenta “fragilidades” na execução

Plano Quinquenal de Macau enfrenta “fragilidades” na execução

O 3.º Plano Quinquenal marca a passagem de Macau de uma fase de “recuperação e crescimento económico” para outra centrada na “transformação e no desenvolvimento de alta qualidade”. Mas Lou Shenghua alerta que persistem fragilidades estruturais: “As novas indústrias carecem de empresas líderes e as cadeias industriais permanecem incompletas”

Fernando M. Ferreira

A consulta pública relativa ao 3.º Plano Quinquenal decorre até 28 de junho e inclui áreas como segurança nacional, diversificação económica, Hengqin, governação, inovação tecnológica e integração no desenvolvimento nacional.

O plano surge alinhado com o 15.º Plano Quinquenal nacional e com os discursos recentes do Presidente Xi Jinping sobre Macau, reforçando a prioridade dada à segurança nacional, integração regional e diversificação económica.

O professor de Ciências Sociais da Universidade Politécnica de Macau, Lou Shenghua, considera que o documento estabelece “oito objectivos centrais” e funcionará como “princípio orientador da governação nos próximos cinco anos”. Entre as prioridades identificadas estão o “reforço da segurança nacional”, a “governação segundo o Estado de Direito”, a “integração entre Macau e Hengqin” e o “desenvolvimento das indústrias emergentes”.

Ainda assim, o académico entende que os maiores desafios surgem precisamente na capacidade de concretizar esses objetivos. O primeiro risco apontado é a “crescente vulnerabilidade externa” de Macau.

Leia também: Macau atinge maioria das metas do 2.° Plano Quinquenal

Mas é sobretudo na diversificação económica que Lou Shenghua identifica fragilidades estruturais. O documento estabelece a meta de os setores não ligados ao Jogo representarem cerca de 60% da economia até 2030. No entanto, o académico considera que o caminho permanece indefinido. “As novas indústrias carecem de empresas líderes e as cadeias industriais permanecem incompletas”, diz ao PLATAFORMA.

Apesar das várias políticas dirigidas a setores como medicina tradicional chinesa, alta tecnologia ou finanças especializadas, Lou Shenghua considera que os resultados concretos continuam “limitados”.

Os mecanismos de governação, partilha de benefícios e divisão de responsabilidades entre Macau e Hengqin continuam incompletos – Lou Shenghua, professor universitário

Também a integração com Hengqin continua aquém das expectativas. Embora o plano insista na articulação entre Macau e a Zona de Cooperação Aprofundada, Lou Shenghua considera que persistem obstáculos relacionados com circulação fronteiriça, compatibilidade legal, reconhecimento mútuo de qualificações e coordenação institucional. “Os mecanismos de governação, partilha de benefícios e divisão de responsabilidades entre Macau e Hengqin continuam incompletos”, observa.

As “limitações territoriais e demográficas” surgem igualmente como “entraves relevantes”. Macau enfrenta “escassez de espaço físico, envelhecimento populacional e falta de profissionais qualificados em áreas como tecnologia, saúde e finanças”, fatores que poderão “travar a diversificação económica”.

Leia também: Hengqin lança recrutamento exclusivo para residentes de Macau

Ao nível político, Lou Shenghua rejeita a ideia de que o reforço da integração nacional possa reduzir a autonomia de Macau. O académico sublinha que o plano mantém os princípios de “Um País, Dois Sistemas”, “elevado grau de autonomia” e “Macau governada pelas suas gentes”, preservando as características próprias da RAEM enquanto “centro mundial de turismo e lazer, plataforma sino-lusófona, porto franco e sistema de baixos impostos”.

“O desenvolvimento de Macau deve integrar-se plenamente na estratégia nacional, mantendo simultaneamente o seu sistema institucional, características económicas e especificidades socioculturais”, defende. Para Lou Shenghua, a integração nas necessidades nacionais e a preservação da singularidade de Macau “não são contraditórias, mas complementares”.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website