“Dito de forma simples, é uma plataforma de serviços para a expansão no exterior”, afirma a diretora-adjunta do Gabinete para os Assuntos Jurídicos da Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau e vice-presidente do conselho do centro. A responsável diz que as empresas da China continental enfrentam vários obstáculos quando tentam internacionalizar-se e assegura que “a nossa plataforma ajudá-las-á a resolver esses problemas”, diz ao PLATAFORMA.
A aposta nos mercados de língua portuguesa e espanhola, sustenta, resulta das vantagens próprias de Macau. “Escolhemos centrar-nos nos mercados de língua portuguesa e espanhola, porque Macau tem uma vantagem natural”. Daí a ambição: “Macau, em conjunto com Hengqin, tornar-se-á a melhor ponte para as empresas que pretendem internacionalizar-se”.
Ng In Cheong resume a missão da estrutura em três frentes: apoiar empresas da China continental que queiram expandir-se para Países de Língua Portuguesa e espanhola; ajudar empresas desses mercados a captar investimento e a cooperar com a China; e afirmar-se como um polo de cooperação mais amplo, “não só no comércio e na economia, mas em todos os domínios, incluindo a cultura e o desporto”.

Ao distinguir o Centro do Fórum de Macau, a dirigente insiste na diferença de natureza entre as duas estruturas: “O Centro Económico e Comercial China-Países de Língua Portuguesa é uma plataforma de serviços para a expansão no exterior”, enquanto o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa “é uma organização internacional intergovernamental de nível nacional”. Já o centro, sublinha, “é uma plataforma prática, virada para as necessidades das empresas” e presta “serviços individualizados”.
O nosso objetivo para o próximo ano é tornar-nos uma organização social de nível nacional e uma plataforma nacional de serviços de internacionalização até ao final de 2027 – Ng In Cheong, vice-presidente do Centro Económico e Comercial China-Países de Língua Portuguesa
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A instalação em Hengqin, acrescenta, resulta de um esforço conjunto. “Estamos atualmente instalados provisoriamente em Hengqin, mas isto não se deve apenas ao Comité Executivo de Hengqin; trata-se de um esforço conjunto do Governo da RAEM e do Governo de Hengqin.” Com apoio de vários ministérios do Governo Central, a meta está definida: “o nosso objetivo para o próximo ano é tornarmo-nos uma organização social de nível nacional e uma plataforma nacional de serviços de internacionalização até ao final de 2027”, explica ao PLATAFORMA.
Fundo, vistos e expansão
Entre as vantagens apontadas por Ng In Cheong está um fundo específico para apoiar a internacionalização. “O Comité Executivo criou um fundo orientador de 30 mil milhões de yuan. Ao abrigo desse fundo, criámos um fundo de 1 mil milhão especificamente destinado a apoiar empresas chinesas e dos Países de Língua Portuguesa na sua internacionalização.” A responsável frisa ainda que a rede está a crescer: “estão em construção escritórios em Shenzhen e Xangai”; no exterior, criaremos sucursais no Brasil, em Portugal, em Espanha e no México”.

Nos serviços, a questão dos vistos surge como uma das áreas centrais. “Devido ao nosso enquadramento governamental, estabelecemos ligações com as embaixadas de muitos países de língua portuguesa e espanhola.” No caso do Brasil, disse, a Embaixada em Pequim prometeu que empresas recomendadas pelo centro poderão obter vistos “através de um canal verde, de forma mais rápida”.
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Ng In Cheong aponta também trabalho na aprovação de investimento externo, apoio jurídico, tradução, exposições e formação. Sobre este último ponto, refere contactos com universidades de Macau e da China continental para formar quadros com conhecimentos de português e espanhol e adianta que a bolsa de talentos já reúne “mais de 600 pessoas”.
A dirigente usa ainda o caso da WGL para ilustrar as sinergias regionais. A empresa, disse, “é uma empresa líder em logística no comércio eletrónico transfronteiriço da América Latina, detendo mais de 40% do mercado mexicano”, tendo recebido apoio financeiro do centro. E sublinha uma vantagem logística decisiva: “Macau tem direitos de tráfego aéreo independentes, o que permite aos aviões voar diretamente para a América Latina, o Brasil e o México”.
O centro começou a ser preparado em abril do ano passado e, segundo a responsável, “no início de dezembro obteve oficialmente personalidade jurídica como organização social sem fins lucrativos em Hengqin”. Em março deste ano, “estabelecemos contato com mais de 200 empresas envolvidas em negócios de exportação para Países de Língua Portuguesa e espanhola”, tendo já sido assinados mais de 80 acordos de serviços ou de cooperação. “Servimos empresas de todo o país”, garante Ng In Cheong.