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ZAPE paga dependência do Jogo

O encerramento de 22% das lojas do ZAPE não traduz apenas uma quebra de atividade, mas “um ajustamento inevitável de um ecossistema comercial distorcido”, defende Nelson Kot, presidente da Associação de Estudos Sintético-Sociais de Macau, que vê na situação da zona um problema estrutural ligado à falta de diversificação

Fernando M. Ferreira

“Esta percentagem demonstra claramente que o ecossistema comercial da zona dependia fortemente, no passado, de atividades ligadas ao jogo ilegal”, o que deixou o ZAPE com “uma estrutura comercial extremamente pouco diversificada e com uma capacidade muito fraca de resistência ao risco”, explica ao PLATAFORMA.

Por isso, avisa, a recuperação “não poderá ser alcançada a curto prazo” e “o essencial passa pelo abandono total da dependência do jogo ilegal e pela promoção profunda da transformação setorial”.

Kot admite que os apoios públicos possam aliviar a pressão imediata sobre os operadores, mas rejeita a ideia de que os subsídios resolvam o problema de fundo.

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“Os subsídios governamentais a empresas que operam dentro da legalidade servem sobretudo como medidas de alívio de curto prazo”, afirma, sublinhando, porém, que essas medidas “não conseguem resolver de forma estrutural a distorção económica da zona”.

Na sua perspectiva, a resposta deve passar por “uma transição para serviços ligados ao turismo, retalho especializado, restauração, indústrias culturais e criativas e outros setores prioritários”.

O analista defende ainda que os apoios públicos se devem “concentrar-se no apoio à reconversão – incluindo formação profissional, modernização dos modelos de negócio e iniciativas de promoção e captação de clientes – em vez de se limitarem a apoio financeiro direto”.

E acrescenta que a zona “deve ser articulada com a estratégia geral de desenvolvimento económico de Macau”, aproveitando “as vantagens de Macau no turismo cultural, nas convenções e exposições e noutros setores estruturantes”.

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Segundo a TDM, cerca de 22% das lojas do ZAPE já fecharam portas, num universo de aproximadamente 580 estabelecimentos. O Secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, admitiu incentivos financeiros para bairros específicos, tendo como ponto de partida a criação de esplanadas ao ar livre para tentar redefinir a imagem do ZAPE, uma proposta recebida com cautela por uma comerciante ouvida pela estação.

Também citados pela TDM, Wu Kam Hon, diretor da Federação Industrial e Comercial do ZAPE, alertou que não bastará criar algumas esplanadas, defendendo identidade própria para as ruas interiores e apoios à renovação dos espaços comerciais, enquanto Tsang Ka Wa, vice-coordenador do Conselho Consultivo para os Serviços Comunitários da Zona Central, pediu a integração da zona numa estratégia mais ampla de revitalização urbana.

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