Longe foram os tempos em que ainda assistíamos à bela paisagem do porto e da baía de Macau, com a presença dos juncos chineses e das lorchas. Hoje ainda é possível conhecer estes tipos de barcos no Museu Marítimo de Macau, através das belas colecções deixadas dentro do museu. A vida pesqueira em Macau, para além de ter sido uma das marcas identitárias de Macau, deu um especial contributo para o desenvolvimento económico, ao nível da pesca e dos transportes.
Hoje a paisagem mudou. Os juncos e as lorchas desapareceram de vez. A ideia de regressarem não é nova nem é a primeira vez, e talvez poderiam regressar, para alavancar a diversificação económica e o turismo, enquanto produtos tradicionais de transporte turístico, como uma marca simbólica, tal como o triciclo.
Para além da baía de Nam Van e Sai Van, Macau está muito perto de Hengqin, e com distâncias curtas entre a península e a Taipa e Coloane, incluindo a área de Lai Chi Vun.
Até se consegue imaginar a recriação de figuras como os tancareiros e dos pescadores em eventos dedicados a este tema; dar um novo impulso ao sector da pesca de Macau, produzir lembranças dos juncos e das lorchas e do nosso peixe salgado, e aproveitar depois tudo isto para a promoção internacional, incluindo o cinema, as redes sociais e a televisão.
O Museu Marítimo de Macau, associações culturais, incluindo aquelas ligadas à vida pesqueira, podiam contribuir neste sentido com o apoio do Governo.
A arte de diversificar não é apenas económica e não convém estar distante da vida cultural de Macau e do seu património intangível único. Este exemplo é apenas mais uma ideia de diversificação através da marca cultural de Macau, que é rica e variada, incluindo elementos das culturas macaense e portuguesa.
Macau merece muito mais, em vez do óbvio esforço excessivo de recriar elementos não-identitários, com a colocação de barracas em eventos pontuais, como recentemente visível no ZAPE com um conjunto de cavalos, e balões em forma de lâmpadas com flores e corações.
Diversificar é necessário mas ouve-se também o apelo de reforçar alguma exigência artística e cultural, e ouvir mais a sociedade civil da área da cultura, onde a alma de Macau pode atingir novos patamares, sem perder a sua identidade e características únicas.