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TAP desafiada a avaliar rota para Hong Kong

A TAP Air Portugal foi desafiada a avaliar a abertura de uma ligação aérea direta entre Portugal e Hong Kong, numa análise ainda exploratória que envolve entidades governamentais e do setor da aviação. Sem decisão formal tomada, o processo surge numa fase de privatização da companhia, já que “qualquer novo investimento estrutural terá de ser avaliado à luz do processo de alienação do capital da empresa”, afirmou fonte governamental ao PLATAFORMA.

Gonçalo Lopes

A possibilidade de virem a existir voos entre Portugal e Hong Kong está a ser analisada, ainda que de forma preliminar, por entidades oficiais e pela transportadora aérea nacional. Fontes do Governo português e da TAP Air Portugal confirmaram ao PLATAFORMA que a companhia foi desafiada recentemente a estudar a viabilidade de uma ligação aérea entre Portugal e Hong Kong, numa lógica de reforço das ligações entre a Europa e a Ásia.

Segundo as mesmas fontes, trata-se, nesta fase, de uma análise exploratória, sem decisão formal tomada, que avalia fatores como procura potencial, enquadramento económico, custos operacionais e enquadramento estratégico da transportadora.

A ligação a Hong Kong é vista como potencialmente relevante para os fluxos turísticos, empresariais e institucionais, sobretudo tendo em conta o papel de Hong Kong como plataforma financeira e comercial internacional.

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No entanto, o processo poderá enfrentar entraves no curto prazo. A eventual abertura desta rota surge num momento em que a TAP se encontra em vias de ser privatizada, com o Governo português a preparar a venda da companhia a um consórcio internacional, o que introduz incerteza quanto a decisões estratégicas de médio e longo curso.

“Qualquer novo investimento estrutural terá de ser avaliado à luz do processo de alienação do capital da empresa”, referiu ao PLATAFORMA uma fonte governamental, sublinhando que “os potenciais compradores terão naturalmente uma palavra a dizer na definição da rede futura”.

Do lado da TAP, uma fonte reconheceu que a ideia foi “colocada em cima da mesa”, mas lembrou que a companhia não dispõe atualmente de frota dedicada de longo alcance adicional que permita, de imediato, abrir uma nova rota regular intercontinental para o Extremo Oriente.

Qualquer novo investimento estrutural terá de ser avaliado à luz do processo de alienação do capital da empresa – fonte do governo português

Uma solução intermédia poderia passar pela realização de voos charter para Hong Kong, testando o mercado e a procura antes de qualquer decisão mais estrutural, de acordo com a mesma fonte.

“Interesses mútuos”

No início do mês, decorreu uma reunião entre o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, e a diretora executiva da Autoridade do Aeroporto de Hong Kong (AAHK, na sigla em inglês), Vivian Cheung Kar-fay.

“[O encontro em Hong Kong foi uma] oportunidade de abordarmos assuntos de interesse mútuo”, disse o consulado, numa mensagem publicada na rede social Facebook.

Numa resposta escrita a questões da agência Lusa, a AAHK disse que tem procurado “estabelecer contactos com companhias aéreas e parceiros comerciais do setor global, incluindo autoridades governamentais e operadores aeroportuários”.

O objetivo é “fomentar relações de cooperação no desenvolvimento de rotas”, acrescentou um porta-voz da operadora do aeroporto de Hong Kong. A AAHK disse ainda que tem trabalhado com o Governo de Hong Kong para “estabelecer novos acordos de serviços aéreos ou expandir os já existentes”.

Em 3 de abril de 2025, arrancou a primeira rota de carga de longo curso entre Macau e Madrid, operada pela companhia aérea da Etiópia, Ethiopian Airlines.

Na altura, o diretor nacional para a China da Ethiopian Airlines, Aman Wole Gurmu, sublinhou que Macau é “uma plataforma importante” para a cooperação económica e comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Três semanas depois do lançamento do voo entre Madrid e Macau, Alexandre Leitão lamentou que a ligação não tenha como destino Lisboa ou o Porto.

[O encontro em Hong Kong foi uma] oportunidade de abordarmos assuntos de interesse mútuo – Consulado de Portugal em Macau e Hong Kong

Uma possível ligação aérea entre Hong Kong e Portugal está, de facto, a ser acompanhado com atenção por entidades ligadas à aviação civil e à promoção externa, que veem na eventual ligação uma oportunidade para reforçar a presença portuguesa no eixo Ásia-Pacífico. Fontes próximas do processo indicam que uma rota para Hong Kong poderia também funcionar como plataforma de ligação a outros destinos asiáticos, beneficiando do estatuto da cidade como um dos principais hubs aéreos e financeiros da região.

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No plano institucional, o interesse manifestado por responsáveis de Macau e de Hong Kong é visto como um sinal político relevante, ainda que insuficiente, por si só, para viabilizar a rota. A eventual aposta em voos charter, caso venha a avançar, permitiria testar a procura real do mercado, nomeadamente nos segmentos empresarial, turístico e da diáspora, sem compromissos permanentes de frota e operação.

Para já, contudo, a ligação Portugal – Hong Kong permanece como uma hipótese em estudo, sem calendário definido, dependente de fatores económicos, estratégicos e acionistas que deverão clarificar-se apenas numa fase posterior.

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