Segundo a publicação, que cita fontes anónimas, um fabricante sediado em Xangai, apoiado pelo Estado chinês, iniciou já a produção das máquinas e prevê entregá-las ainda este ano a importantes produtores chineses de semicondutores, como a SMIC, a Hua Hong e a CXMT, que protagonizou na segunda-feira uma das maiores entradas em bolsa da China dos últimos anos.
A imprensa oficial chinesa deu destaque à notícia, sublinhando que as ações da ASML caíram mais de 7% após a publicação da informação. Outros fabricantes norte-americanos de equipamento para semicondutores também registaram perdas, incluindo a Applied Materials (-3.61%), a Lam Research (-4.46%) e a KLA Corporation (-3.4%). A queda estendeu-se igualmente a fabricantes norte-americanos de chips, como a AMD (-5.17%) e a Micron (-2.25%).
Apesar de representar um avanço importante para a indústria chinesa de semicondutores, considerada estratégica para os planos de autossuficiência tecnológica de Pequim, a ASML mantém uma vantagem tecnológica, uma vez que o equipamento chinês ainda estará atrás em termos de fiabilidade e desempenho e necessitará de mais testes antes de poder ser produzido em larga escala.
A China continua também sem acesso às máquinas de litografia EUV (ultravioleta extrema), mais avançadas do que as DUV e cujo fabrico continua a ser um monopólio da empresa neerlandesa. No entanto, algumas informações apontam para o desenvolvimento de uma alternativa chinesa, ainda em fase de protótipo, por uma equipa que integra antigos engenheiros da ASML.
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Em meados do mês passado, a agência noticiosa Bloomberg revelou que as autoridades norte-americanas alertaram a ASML para a possibilidade de uma das suas máquinas EUV ter chegado à China apesar dos controlos às exportações impostos por Washington, com o apoio dos Países Baixos. A empresa rejeitou, contudo, que tal pudesse ter acontecido sem o seu conhecimento.
O jornal estatal China Daily classificou a notícia como “o mais recente sinal de que os planos da China para alcançar a autossuficiência em equipamentos para o fabrico de semicondutores estão a dar resultados” e afirmou que a informação provocou “uma inversão imediata da confiança em Wall Street”.
O jornal acrescentou que as restrições impostas pelos Estados Unidos e pelos seus aliados ao acesso da China a tecnologias avançadas funcionaram como um incentivo para o desenvolvimento de alternativas nacionais, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros e promovendo o aparecimento de empresas chinesas capazes de competir com os gigantes norte-americanos.
Como exemplos, o China Daily cita os processadores para inteligência artificial (IA) Ascend, da Huawei, como alternativa aos da Nvidia; os fabricantes de semicondutores CXMT e YMTC, face à Sandisk e à Micron; e os modelos de inteligência artificial Kimi (Moonshot), Qwen (Alibaba) e DeepSeek, apresentados como alternativas chinesas ao ChatGPT, da OpenAI, e ao Claude, da Anthropic.