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Até quando pode resistir uma arte que não se explica?

Agnes Lam

Na noite de 8 de fevereiro, o Partido Liberal Democrático do Japão alcançou a sua maior vitória de sempre, que a imprensa chamou de “novo tempo político” – dentro do país, menos ênfase no equilíbrio de fações, e no exterior, a opção por uma “estratégia clara” em vez da anterior “estratégia ambígua”.

Na política internacional, a “ambiguidade estratégica” já foi uma ferramenta muito eficaz. Depois da Segunda Guerra Mundial, muitos países conseguiram manter a paz durante anos porque apostaram nestas políticas pouco claras. Por exemplo, Israel nunca confirmou nem negou ter armas nucleares; a cláusula de defesa coletiva da NATO, o artigo 5.º do Tratado do Atlântico Norte, também mantém uma certa ambiguidade – diz que um ataque a um membro é visto como ataque a todos, mas nunca explica exatamente que medidas seriam tomadas a seguir. Outro exemplo são os vários diálogos antigos entre a China e os Estados Unidos, cheios de mensagens vagas. No fundo, o que ligava todos estes exemplos era nunca fechar totalmente as portas, criando assim uma estabilidade instável.

No entanto, esta abordagem está agora em crise. O exemplo da eleição no Japão é apenas mais um sinal. Após a invasão russa da Ucrânia, a Finlândia e a Suécia abriram mão da sua neutralidade e aderiram à NATO. A União Europeia exige posições mais claras dos seus membros, especialmente em relação à Rússia. À medida que os grandes países trocam a ambiguidade por afirmações claras, os pequenos espaços de manobra para cidades pequenas vão desaparecendo.

Talvez, o futuro não passe por resistir à ambiguidade, mas sim por criar novo valor dentro de regras bem definidas. O papel de Macau como “plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa” pode ser visto como uma tentativa de adaptação a esta nova realidade. Durante séculos, Macau sobreviveu graças a esta ambiguidade e conseguiu manter uma posição única entre grandes potências. No entanto, quando o mundo começa a exigir posições claras, até o silêncio passa a ser uma escolha. Para uma cidade habituada a navegar na incerteza, aprender a sobreviver num tempo em que tudo tem de ser dito com clareza é talvez o maior desafio do futuro.

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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