A colaboração foi anunciada esta semana, em Newark, e concretiza-se com a estreia mundial de uma nova obra coreográfica. O espetáculo sobe o palco a 14 e 15 de fevereiro, no Centro de Artes Performativas de Nova Jérsia (NJPAC), reunindo folclore português, dança chinesa contemporânea e elementos da tradição mongol, com o objetivo de assinalar o Ano Novo Lunar através de uma criação artística conjunta.
A nova obra está a ser desenvolvida por Miguel Veloso, diretor artístico do Rancho Camponeses do Minho – grupo folclórico integrado no Sport Club Português de Newark – em parceria com Greta Campo, diretora artística da Nai-Ni Chen Dance Company, e com os coreógrafos residentes Lawrence Jin e Ying Shi. Segundo a organização, a criação foi pensada especificamente para esta celebração e para o palco do NJPAC, um dos principais centros culturais do estado de Nova Jérsia.
O espetáculo assinala o Ano do Cavalo, símbolo que atravessa várias culturas e que serve de eixo conceptual da coreografia. Na tradição chinesa, o cavalo está associado à vitalidade, à perseverança e ao chamado “Espírito do Rio Amarelo”, enquanto em Portugal é representado pelo cavalo Lusitano, frequentemente ligado à elegância, à força e à expressividade, expressou a organização, num comunicado à agência Lusa.
A estes significados junta-se ainda a simbologia equestre da dança tradicional mongol, marcada por ritmos galopantes, gestos amplos e uma forte ligação às culturas nómadas do norte da China.
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Coreograficamente, a obra combina o trabalho rítmico e firme dos pés característico do folclore do Minho com a fluidez, amplitude e energia da dança chinesa contemporânea. Esta fusão pretende criar uma nova linguagem artística, respeitando as raízes de cada tradição, mas explorando pontos de contacto e símbolos comuns.
A organização sublinha que o projeto reflete séculos de ligação histórica entre Portugal e a China, em particular através de Macau, e demonstra como esse intercâmbio cultural continua a inspirar a criação artística contemporânea fora do espaço europeu e asiático. Em Newark, cidade com uma forte presença de comunidades portuguesa, chinesa e de outras origens, a colaboração assume também um significado social.
“Esta colaboração é uma celebração do pulso comum que liga os bairros de Newark”, afirmou Andy Chiang, diretor executivo da Nai-Ni Chen Dance Company, acrescentando que o objetivo é criar uma linguagem artística inclusiva que espelhe a diversidade da cidade. Para Jack Costa, presidente do Conselho de Administração do Sport Club Português de Newark, a parceria “honra a herança portuguesa ao mesmo tempo que abraça a riqueza multicultural” local.
Miguel Veloso destacou, por sua vez, que celebrar o Ano do Cavalo através da dança permite contar “uma história de força, movimento e memória comum”, ligando Portugal, a China e as múltiplas vozes imigrantes que moldam Newark.