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China, de importador a exportador de investimento

Cidadãos com passaporte português poderão entrar na China sem necessidade de visto, por um período de até 15 dias, para negócios ou turismo, até 31 de dezembro de 2025. O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês tomou a iniciativa de clarificar alguns dos procedimentos a ter em conta

Jorge Costa Oliveira, Consultor financeiro e business developer

De acordo com a fDi Markets, em 2023 o investimento greenfield de empresas chinesas no exterior (ODI) atingiu um novo recorde de 146,2 mil milhões de euros (mM€), aos quais devem ser adicionados 35,8 mM€ de investimento por meio de fusões e aquisições de empresas (M&A), de acordo com um relatório da EY. Dada a queda nas entradas de investimento direto estrangeiro (IDE) na China, em 2023 o seu investimento direto líquido registou um défice de -128 mM€.

Durante décadas, a estratégia de desenvolvimento da China baseou-se fortemente na atração de IDE. A criação de grandes corporações e grupos económicos competitivos chineses em literalmente todos os campos, a acumulação de capital e o crescimento dos mercados financeiros da China, tornaram o IDE menos necessário para o crescimento da economia chinesa. No entanto, a procura de crédito por parte das empresas chinesas continua a ser elevada, como o demonstra a elevada dimensão do “shadow banking” e os reiterados apelos do governo chinês para que as empresas financeiras estrangeiras venham para a China (apesar da decisão de não abrir o setor bancário à concorrência estrangeira). Estes apelos têm sido bem-sucedidos e grupos financeiros ocidentais eficientes estão a ganhar um bom dinheiro em operações financeiras na China; porém, não podendo conceder crédito, não podem substituir o shadow banking senão parcialmente. No entanto, os grupos industriais ou de serviços estrangeiros preferem investir noutros mercados – onde há custos mais baixos, maior crescimento do PIB, com menos riscos de guerras comerciais e de dissociação geopolítica, de preferência naqueles com fácil acesso ao mercado chinês. Por outro lado, de acordo com a fDi Markets, “atrair IDE para serviços de alto valor agregado, que foi priorizado pelo governo [chinês], está a revelar-se mais difícil do que o esperado”.

Concomitantemente, o ritmo acelerado de internacionalização das empresas chinesas está a aumentar o ODI, seja em casos de nearshoring, seja em países onde as empresas e investimentos chineses são bem-vindos.

Esta evolução mostra uma mudança significativa na posição da China no panorama global do investimento, revelando os últimos anos uma tendência em que as saídas de investimentos chineses para o estrangeiro excederam substancialmente as entradas de IDE na China. O perfil do IDE da China parece, assim, estar a sofrer uma mudança, passando de importador para exportador de capital. Com a Ásia a continuar a ser o principal destino dos investimentos externos das empresas chinesas (foi assim nos últimos 5 anos), é provável que o Sudeste Asiático (já o maior parceiro comercial da China) se torne o destino preferido desse investimento, bem como de muito IDE ocidental que anteriormente preferia a China.

Artigo originalmente publicado em Diário de Notícias

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