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Jorge Chiang incontactável

O empresário foi o primeiro a anunciar a sua intenção de concorrer às eleições para Chefe do Executivo de Macau, mas ainda não há confirmação de que tenha levantado o boletim de propositura. O PLATAFORMA tentou contactar Jorge Chiang inúmeras vezes, bem como a associação que preside e a partir da qual fazia campanha, mas sem efeito. Ao visitar a respetiva associação por duas vezes em horário laboral, a porta estava fechada, e sem qualquer funcionário. No escritório ao lado dizem que o espaço está abandonado há seis meses

Guilherme Rego

Há uma semana Sam Hou Fai anunciou, em pomposa conferência de imprensa, a sua intenção de se tornar o sexto Chefe do Executivo de Macau. O ex-presidente do Tribunal de Última Instância conta com o apoio de várias figuras políticas e, ao que tudo indica, será mesmo o próximo Chefe do Executivo.

Contudo, Sam Hou Fai não foi o primeiro a anunciar a intenção de governar Macau. Um mês antes – ainda numa altura em que o atual Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, ponderava uma recandidatura – Jorge Chiang anunciava essa mesma vontade, através da sua página oficial de Facebook. O empresário, relativamente desconhecido pela comunidade, preside a Associação de Institucionalismo de Macau e a Associação de Comércio Macau Lotus.

Foi através da Associação de Institucionalismo de Macau que o PLATAFORMA conseguiu falar diretamente com o empresário, em julho, inteirando-se dos seus planos para o futuro da Região. E na morada dessa associação, confirmada pelo próprio Jorge Chiang, foram entregues cópias dessa entrevista no dia da sua publicação, que tivemos de deixar à porta, pois a sede encontrava-se fechada.

Foi também por esta associação que, sabe o nosso jornal, outros meios de comunicação locais mantiveram contacto com funcionários da campanha de Jorge Chiang. É o caso do Hoje Macau, que há uma semana atrás falou com Ieong Kit Meng, depois de não conseguir chegar ao empresário diretamente. Meng, representante da campanha e membro da mesma associação, indicou ao jornal diário de língua portuguesa que Jorge Chiang já tinha reunido os 66 votos necessários para ir a eleições, e que o responsável, nessa altura fora de Macau, esperava pelo momento certo para iniciar campanha. “Estamos a planear começar as ações oficiais de campanha ainda esta semana”, afirmou a responsável ao Hoje Macau, a 26 de agosto.

Caixa de correio da Associação do Institucionalismo de Macau não tem placa de identificação, ao contrário das restantes.

A verdade é que passados 12 dias desse telefonema, não nos foi garantido pelo gabinete de atendimento da Comissão Eleitoral que Jorge Chiang, ou seu representante, tenha levantado o boletim de candidatura. Além de que não avançou com qualquer atividade, contrariando as informações previamente dadas ao Hoje Macau. A sua página de Facebook, onde anunciara a intenção de ir a eleições, está inativa desde 10 de julho. Coincidentemente, 10 de julho foi o dia em que fez a primeira e última publicação, precisamente a anunciar a sua vontade de se tornar no próximo Chefe do Executivo.

Durante a última semana foram várias as vezes que o nosso jornal tentou contactar o empresário diretamente, bem como indiretamente através da Associação do Institucionalismo de Macau, na qual aparentemente o responsável estabelecera o gabinete de campanha. As tentativas, porém, não surtiram efeito. O PLATAFORMA foi então à sede da Associação na quarta-feira, às 15h00, tendo-a encontrado fechada, com uma carta entre a porta (ver fotografia). Ontem de manhã, a carta ainda não tinha sido levantada. Pela brecha da porta de entrada, foi possível ver que o local estava sujo e abandonado. Num dos escritórios do mesmo andar, disseram-nos que ninguém entra na sede da Associação do Institucionalismo de Macau “pelo menos há seis meses”. A caixa de correio encontrava-se vazia, sem placa a identificar a empresa – ao contrário das outras caixas de correio (ver imagem). Até ao fecho da edição, o nosso jornal continuou a tentar contactar Jorge Chiang pelos canais aos quais nos assegurou resposta, mas não conseguiu. Sendo assim, fica a dúvida de como o empresário consegue assegurar 66 votos para ir a eleições, numa altura em que Sam Hou Fai intensifica as visitas a membros da Comissão Eleitoral.

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